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Nome apoiado pelo Planalto, Omar Aziz deve presidir CPI da Covid; acordo prevê Renan como relator

Definição dos cargos, que tem de ser referendada em eleição interna, é crucial para ditar os rumos da investigação 

Daniel Weterman e Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 11h31
Atualizado 16 de abril de 2021 | 13h03

BRASÍLIA - O senador Omar Aziz PSD-AM) deve ser o presidente da CPI da Covid no Senado. Embora tenha uma atuação considerada independente, mudando de posição de acordo com seus interesses, Aziz tem o apoio do Palácio do Planalto para ocupar a função. Pelo acordo entre os partidos, Renan Calheiros (MDB-AL), que faz oposição ao governo, assumirá a relatoria do colegiado.  Os nomes ainda precisam ser confirmados em eleição na primeira reunião da CPI, mas a escolha costuma ser combinada antes. 

O governo quer emplacar um aliado no comando da CPI para ter alguma influência. Isso porque o presidente da comissão é responsável por ditar o ritmo que a investigação deve avançar e o que será votado nas reuniões. Sua atuação é determinante para que os trabalhos do colegiado cheguem em algum lugar.

Embora crítico à gestão de Bolsonaro na pandemia, Aziz chegou a defender o adiamento da CPI e já adotou posições favoráveis ao governo em outros momentos. Coube ao senador, por exemplo, relatar a indicação de Jorge Oliveira, ex-ministro de Bolsonaro, a uma vaga no Tribunal de Contas da União.

"Não tem governo, seja de direita, centro ou esquerda, que não tenha cometido equívocos nessa pandemia. Em todos os Estados, está tendo morte. O João Doria (PSDB, governador de São Paulo) é 100% contrário ao pensamento do Bolsonaro. São Paulo, por acaso, está vivendo um mar de rosas? Esse discurso (eleitoral) não vai acontecer dentro da CPI", declarou Aziz ao Estadão/Broadcast Político. 

Aziz concorreu ao governo do Amazonas em 2018, mas foi derrotado por Wilson Lima (PSC). Hoje, porém, os dois são aliados. O Estado é um dos principais focos da CPI após colapso na rede de saúde em janeiro, quando pacientes de covid-19 morreram asfixiados após estoques de oxigênio nos hospitais se esgotarem.

Inicialmente com foco apenas nas ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro, a CPI teve seu escopo ampliado para Estados e municípios após pressão de governistas. Dos 11 titulares, porém, o governo é minoria, com quatro senadores declaradamente aliados, dois de oposição e 5 com atuação considerada independente.

O líder do DEM, senador Marcos Rogério (RO), um dos aliados de Bolsonaro na comissão. elogiou Omar Aziz e disse que ele seria um bom nome para coordenar a CPI. No entanto, o senador de Rondônia ressaltou que a definição do cargo ainda não está decidida e que hoje qualquer um dos 11 titulares teria condição de assumir o posto. "Omar tem conversado com senadores, falado, mas esse tipo de situação é normalmente decidido na última hora. Isso passa pelo presidente do Senado e pelos partidos", declarou.

Marcos Rogério confirmou que o amazonense é o nome que mais tem se movimentado para ser presidente da comissão e que tem ligado para para senadores em busca de votos. Porém, o líder partidário acredita que até o dia da eleição para o comando da CPI pode haver uma mudança de cenário. O político do DEM afirmou ser impossível que a CPI seja instalada na semana que vem, que vai ser marcada por sessões do Congresso e o feriado de Tiradentes, e espera que a primeira reunião aconteça entre o final de abril e começo de maio.

"Omar é um grande nome, pessoalmente eu gosto dele, mas não é assim que funciona. Nesse tipo de situação às vezes o próprio candidato de última hora chega na comissão e fala: 'não, eu não quero isso'. Muda todo o cenário. O momento agora é de dialogar, dialogar à exaustão para poder chegar no final e ter um nome que reúna o consenso ou pelo menos que tenha a compreensão de que é o melhor quadro para presidir a comissão", declarou Rogério.

Operação. Aziz já foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apurava desvios de dinheiro da área da saúde no Estado. A mulher do senador, Nejmi Aziz, chegou a ser presa por dois dias em 2019, em um desdobramento das investigações.

A ex-primeira dama foi candidata a deputada estadual nas eleições 2018 mas não foi eleita.  Na ocasião, Nejmi Aziz declarou mais de R$ 30 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), valor quase 20 vezes superior ao de seu marido, que concorreu ao governo do Amazonas em 2018 e informou à Corte que possuía pouco mais de R$ 1,5 milhão em bens.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os investigados são pessoas físicas e jurídicas ligadas a Omar Aziz, que foi governador do Amazonas entre 2011 e 2014.  A PF apura supostas entregas de dinheiro em espécie e negócios que teriam sido realizados para ocultar a entrega de valores dissimulados por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.  

Por meio de nota, o senador do PSD negou participar de qualquer tipo de irregularidade. "Sobre a referência ao nome do senador Omar Aziz citado no relatório da Polícia Federal de 2019, nos autos da Operação Vertex, é importante esclarecer para a sociedade que não foi produzida prova alguma ou nem mesmo apresentado indício de ligação de Omar Aziz com qualquer atividade delituosa", disse o senador, por meio de sua assessoria.

Relator. No caso da relatoria, o nome de Renan Calheiros deve ser confirmado após o líder do MDB, Eduardo Braga (AM), telefonar para Aziz na manhã desta sexta-feira abrindo mão da função. Renan é apontado como uma "pedra no sapato" do Executivo na CPI. 

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição, ainda disputa a presidência, mas deve ficar com a vice, se o acordo que está sendo costurado no momento se concretizar. Aliados de Bolsonaro vão apoiar a eleição de Aziz. 

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