JOSÉ DIAS/PR
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No Nordeste, Bolsonaro anuncia R$ 4 bilhões; governadores criticam

Na 1.ª viagem à região, presidente confirma investimento em fundo; opositores veem ‘inércia’ no governo federal

Pedro Venceslau / ENVIADO ESPECIAL e Renata Linard / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 16h39

RECIFE E PETROLINA (PE) - Em sua primeira viagem oficial ao Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira, 24, no Recife, um acréscimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), um dos três fundos constitucionais criados para implementar a política de desenvolvimento entre áreas do País. No entanto, o presidente não foi poupado de críticas dos governadores da região, onde Bolsonaro registra os seus maiores índices de rejeição.

O presidente desembarcou no Recife pela manhã com um comitiva de 15 convidados para participar da reunião do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento do Nordeste (Condel-Sudene). Para evitar manifestações da oposição, que foram convocadas pelas redes sociais, a comitiva foi dividida. Dois helicópteros se deslocaram da base aérea do aeroporto até o Instituto Brennan, onde foi realizado o evento. Durante a cerimônia, um grupo de manifestantes com faixas e cartazes protestou em frente ao portão do instituto.

No discurso de abertura, Bolsonaro fez um apelo para que os governadores, majoritariamente de oposição, apoiem o projeto da reforma da Previdência enviado ao Congresso. “Faço um apelo aos senhores governadores do Nordeste. Temos um desafio que não é meu, mas também dos senhores, independente da questão partidária, que é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em colocar em prática parte do que estamos tratando aqui”, disse o presidente.

O governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), disse que o governo federal precisa “efetivamente” mostrar a que veio. “Precisa definir políticas. Isso não aconteceu. Esperamos que o Brasil volte a crescer e não fique amarrado exclusivamente na pauta da Previdência”, disse ele ao Estado. “Esperávamos que o presidente, chegando aqui no Nordeste, a exemplo do que acontecia anteriormente, trouxesse mais notícias boas. As notícias boas não foram tantas”, afirmou.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi na mesma linha. “De um modo geral o governo do presidente Bolsonaro enfrenta dificuldades no País, não apenas no Nordeste. Hoje essa contestação de que o governo vem frustrando expectativas é nacional. É um governo inerte no que se refere a políticas públicas. Quando rompe a inércia, rompe na direção errada. A exemplo desse desastrado decreto sobre armas."

Para o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), não vai ser fácil o presidente reverter a viagem em popularidade no Nordeste. “Popularidade não se relaciona com dinheiro, mas com a capacidade de liderar”, afirmou o emedebista.

'Estou no Brasil’. À tarde, em Petrolina, Bolsonaro foi ovacionado por apoiadores aos gritos de “mito” ao comparecer à entrega do Residencial Morada Nova, do programa Minha Casa Minha Vida. Bolsonaro afirmou em seu discurso que não há sensação melhor do que a de “estar entre amigos”. E disse que “não está no Nordeste, está no Brasil, pois o povo brasileiro é uma só raça”.

O governador do Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), participou da entrega das chaves sob vaias e gritos de “Fora, Paulo”. Câmara atuou de maneira diplomática, mas a situação só se acalmou ao final do evento, quando Bolsonaro pediu que encerrasse o clima de hostilidade e deu um “abraço hétero” no governador.

Ainda durante a entrega das chaves, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, afirmou que o programa Minha Casa Minha Vida continuará existindo. “Em primeiro lugar, quero deixar claro que este governo não vai interromper o programa de habitação social. Não se enganem: o presidente veio para ajudar, melhorar e aperfeiçoar.”

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