Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

'Nada disso me intimida', diz Aécio sobre delação de Delcídio envolvendo seu nome

Presidente do PSDB estaria entre os cidatos pelo senador petista em seu acordo de colaboração, segundo divulgaram os jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 11h13

São Paulo - Em vídeo divulgado em seu perfil no Facebook nesta manhã, o senador Aécio Neves (PSDB) afirmou novamente que há uma tentativa de vincular a oposição e o seu nome à operação Lava Jato. "Nada disso me intimida", disse o tucano. A mensagem é uma resposta às reportagens dos jornais O Globo e Folha de S. Paulo que afirmam que o tucano seria um dos cinco senadores citados na delação de Delcídio Amaral (PT), ex-líder do governo Dilma no Senado e também ex-filiado ao PSDB.

Segundo as reportagens, além do tucano o senador teria citado também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO). A reportagem do Globo afirma que Aécio teria sido citado no contexto de uma CPI, mas não dá mais detalhes. Além dos cinco senadores, Delcídio já teria citado os nomes de Dilma e de Lula e os acusado de atuar para prejudicar as investigações da Lava Jato. A delação do senador ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

"Outras tentativas já ocorreram e foram arquivadas porque foram desmascaradas, porque eram falsas", afirmou Aécio relembrando outros episódios em que foi citado por delatores.

O tucano, que foi candidato do PSDB à Presidência em 2014, já foi citado por três outros delatores da operação, o doleiro Alberto Youssef, o lobista Fernando Moura e o entregador de dinheiro de Youssef Carlos Alexandre Souza Rocha, conhecido como Ceará.  Tanto o doleiro quanto Moura alegam que o tucano teria influência e recebia propina em uma diretoria de Furnas, estatal de energia que é alvo de uma investigação no Rio de Janeiro sobre suspeita de que existia um esquema de corrupção envolvendo seus funcionários. Já Ceará afirma ter ouvido de um executivo da UTC que Aécio era "o mais chato" na cobrança de propinas, sem detalhar a qual obra seriam ligadas essas propinas.

As citações de Youssef e Ceará foram consideradas insuficientes para a abertura de inquérito contra o senador. A de Fernando Moura ainda está sob sigilo. No vídeo divulgado nesta quarta, contudo, Aécio comenta apenas o esquema de corrupção na Petrobrás revelado na Lava Jato e afirma que ele "tem DNA, ele era do PT e de seus aliados. Por isso nós temos que apoiar e apoiar em profundidade a operação Lava Jato, para que todas as apurações ocorram e ai nós separemos o joio do trigo, nada disso me intimida", segue o tucano.

Ex-líder do governo no Senado, Delcídio chegou a ser diretor da Petrobrás no governo FHC entre 2011 e 2002, época em que era filiado ao PSDB. Ele foi preso no ano passado acusado de prejudicar as investigações da operação quando foi flagrado negociado uma fuga para o ex-diretor Nestor Cerveró, também detido na operação e que fez delação premiada.

 

Declarações falsas. Após ser citado pela terceira vez em delações da Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) concedeu entrevistas e fez discurso em plenário se defendendo das possíveis acusações em delação premiada de Delcídio Amaral (PT-MS). O senador alegou que as declarações são falsas e uma tentativa de ligar seu nome à Lava Jato.

"Não temo absolutamente nenhuma investigação. Mais do que isso, me sinto cada vez mais determinado para atuar aqui no Congresso e nas ruas do Brasil para dar fim a esse ciclo perverso de governo representado pelo PT", afirmou. 

O senador admitiu que já foi citado em outras delações, mas afirmou que todas as acusações foram desmascaradas porque eram "falsas". Em plenário, ele pediu mais uma vez a renúncia da presidente Dilma Rousseff para dar início a uma "nova etapa em nosso País". 

Aécio também criticou os convites de lideranças partidárias do PT para que movimentos favoráveis à presidente compareçam às manifestações agendadas para o dia 13 de março. De acordo com o tucano, esta é uma tentativa de insuflar a violência e divisão da população. "Nada pode ser pior para o País do que uma nação dividida. O Brasil da paz não aceita confronto em protestos de domingo", declarou. 

O senador convocou a população brasileira que está insatisfeita com a situação do país a comparecer aos manifestos do próximo domingo e afirmou que "o povo brasileiro sairá às ruas para mudar a história". 

 

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