Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Moro pediu a Lava Jato para rebater ‘showzinho’ da defesa de Lula, diz site

Em novas mensagens, ex-juiz sugere que força-tarefa divulgue nota à imprensa para apontar ‘contradições’ do petista após depoimento prestado no caso do triplex do Guarujá

Redação, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2019 | 23h28
Atualizado 15 de junho de 2019 | 00h24

O site The Intercept Brasil divulgou na noite desta sexta-feira, 14, novos trechos de diálogos atribuídos ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. De acordo com as supostas mensagens, o ex-juiz federal pediu aos procuradores em Curitiba (PR) que divulgassem uma nota à imprensa para responder ao que chamou de “showzinho” da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apontar “contradições” do petista, após o depoimento prestado por ele no caso do triplex do Guarujá (SP). 

O pedido, de acordo com o site, foi feito por Moro ao então procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima na noite do dia 10 de maio de 2017 – mesmo dia do depoimento prestado por Lula. O vídeo da audiência foi divulgado por decisão do próprio Moro, então magistrado da 13.ª Vara da Justiça Federal no Paraná. 

Os supostos diálogos, que envolvem também mensagens do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba, mostram que os procuradores acataram a sugestão do atual ministro para tirar o foco de Moro e protegê-lo. Segundo o site, as conversas ocorreram por meio do aplicativo Telegram e foram enviadas por fonte anônima.

Procurada, a assessoria do ministro não havia se pronunciado até a conclusão desta edição, assim como Dallagnol. Em nota publicada em rede social, o procurador Carlos Fernando Santos Lima afirmou desconhecer “completamente as mensagens citadas” pelo site. “(...) Acreditando singular que o ‘órgão jornalístico’ volte-se agora contra mim, aparentemente incomodado pelas críticas que tenho feito ao péssimo exemplo de ‘jornalismo’ que produz”, escreveu ele. 

Tanto Moro quanto alguns procuradores do MPF, entre eles Dallagnol, relataram à Polícia Federal que seus aparelhos celulares foram invadidos por hackers. O caso está sob investigação da PF. Para os advogados de defesa de Lula, as primeiras mensagens divulgadas pelo site sobre as supostas conversas entre Moro e Dallagnol, no último domingo, mostram “completo rompimento da imparcialidade objetiva e subjetiva” no julgamento do ex-presidente pelo então juiz federal.

Em entrevista exclusiva publicada ontem pelo Estado, Moro afirmou que o País está diante de “um crime em andamento” promovido por uma organização criminosa profissional e que ele não vai se afastar do cargo. Segundo o ministro, não há riscos de anulação do processo do triplex do Guarujá, que levou à condenação e prisão do ex-presidente Lula.

Nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que é “zero” a possibilidade de demitir Moro diante do vazamento de conversas atribuídas ao então juiz sobre sua relação com procuradores da Lava Jato e que mantém a promessa de indicar o auxiliar para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). “É uma possibilidade muito grande.”

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