Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Ministério da Saúde só promoveu um tuíte sobre vacina contra covid

Levantamento do 'Fiquem Sabendo' mostra que pasta praticamente ignorou a vacina e priorizou promover posts sobre outras doenças

Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2021 | 13h41

BRASÍLIA – O Ministério da Saúde impulsionou apenas uma mensagem sobre vacinação contra a covid-19, no Twitter, entre 1º de fevereiro de 2020 e 31 de abril deste ano. No mesmo período, a pasta promoveu – ou seja, pagou para que o conteúdo alcançasse um público maior na rede social – 33 mensagens relacionadas a campanhas de vacinação de outras doenças, como gripe, sarampo, poliomielite e febre amarela. 

Os dados, obtidos pela agência Fiquem Sabendo, especializada na Lei de Acesso à Informação, indicam que o Ministério da Saúde privilegiou pagar por conteúdo sobre imunização contra outras doenças que não a covid no momento em que a pandemia se alastrava no Brasil e no mundo. As estatísticas fazem parte da página do Ministério da Saúde no Twitter. 

O Brasil já registrou 556.886 mortes pela covid-19, e neste domingo, 1, foram notificadas 449 novas mortes pela doença

O único tuíte pago pelo Ministério da Saúde sobre vacinação contra a covid foi publicado em 17 de março deste ano. "A vacinação contra a Covid-19 continua. Lembre-se também de continuar com todos os cuidados, como lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel e, ao sair de casa, usar máscara. Se sentir sintomas, procure um médico", dizia a mensagem, que indicava o site da pasta para mais informações.

O conteúdo foi impulsionado dois meses depois do início da vacinação contra a covid. Em 17 de janeiro, em São Paulo, a enfermeira Mônica Calazans foi a primeira brasileira imunizada no País

Em 17 de março, o Brasil vivia seu pior momento de toda a pandemia, com colapso hospitalar, doentes sem assistência e vacinação lenta. Naquele momento, o País havia assinado contrato para compra de doses de três vacinas: AstraZeneca, Coronavac e Covaxin.

Os acordos para aquisição dos imunizantes da Pfizer e da Janssen foram assinados no dia seguinte à publicação do tuíte pago, em 18 de março. As doses da Covaxin nunca chegaram ao País, e o Ministério da Saúde encaminhou o cancelamento do contrato, em meio a denúncias de irregularidades e corrupção na contratação. A compra é investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O único tuíte pago sobre vacinação contra a covid teve o décimo maior engajamento do período de fevereiro do ano passado a abril de 2021. Entre o primeiro e o quarto mês deste ano, o ministério impulsionou apenas dois posts sobre vacinação. A pasta pagou para engajar também um conteúdo sobre imunização contra a gripe.

Além dos 34 tuítes pagos sobre vacinação, o Ministério da Saúde promoveu 51 mensagens sobre outros temas, como combate à covid - atenção a sintomas e formas de prevenção -, gravidez na adolescência e uso de preservativos.

Entre fevereiro de 2020 e abril deste ano, o Ministério da Saúde publicou um total de 4.896 tuítes. Dentre as mensagens não-pagas estão 62 tuítes sobre cloroquina e o suposto tratamento precoce contra a doença. O 'kit-covid' é composto de medicamentos ineficazes contra a covid e tem o presidente Jair Bolsonaro como grande incentivador.

O Ministério da Saúde publicou mensagens pró-cloroquina entre 21 de março do ano passado e 16 de janeiro deste ano. Durante o colapso do oxigênio em Manaus, a pasta escreveu mensagens indicando o "atendimento precoce" e  o "cuidado precoce".

A média móvel de mortes pela covid no País teve mais um dia em queda no domingo, 1, e registrou 984 óbitos. No sábado, pela primeira vez desde 20 de janeiro, o índice ficou abaixo de mil no País.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que, "desde o início da pandemia Covid-19, trabalha para divulgar amplamente todas as medidas de prevenção contra a doença para toda a população". 

"De março de 2020 até agora, a pasta realizou 29 campanhas com os mais diversos temas, como orientações sobre sintomas da doença, transmissão, recomendações para os grupos mais vulneráveis, medidas preventivas, reforço da importância da campanha de vacinação contra a doença e segunda dose, além de orientações sobre a imunização de gestantes e puérperas", afirmou a Saúde. 

A pasta declarou ter feito "mais de 20,9 mil inserções em TVs, 308 mil inserções em rádios, 890 milhões de impressões na internet e mais de 816 milhões de inserções em mídia exterior". 

"Sendo na plataforma twitter, o investimento de 1,7 milhão com o total de 174 milhões de inserções e 56 tweets promovidos", informou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.