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Mesmo exonerado, Queiroz demitiu ex de miliciano do gabinete de Flávio, diz MP

Contatos entre Queiroz e Danielle Nóbrega foram monitorados pelo Gaeco em investigação sobre milícia

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 13h51

RIO - Conversas entre Fabrício Queiroz e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano Nóbrega, um dos milicianos mais procurados do Rio, rastreadas pelo Ministério Público do Rio, indicam que o ex-assessor continuava a agir como integrante do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) mesmo após ser exonerado do cargo.

Revelados pelo jornal O Globo, diálogos via WhatsApp mostram que Queiroz informou à assessora, em  6 de dezembro de 2018, que ela havia sido exonerada. A data é a mesma da revelação pelo Estado das movimentações financeiras atípicas na conta de Queiroz. Há suspeita da prática de “rachadinha” (destinação ilegal da maior parte dos salários ao parlamentar) no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Veja o guia para entender o Caso Queiroz.

Os contatos entre Queiroz e Danielle foram monitorados pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em investigação sobre milícia. Ela resultou na Operação Os Intocáveis, que buscou prender 13 suspeitos. Um dos investigados com prisão decretada é o ex-capitão da PM Adriano Nóbrega, que foi casado com Danielle.

Além dela, Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-oficial, também trabalhou no gabinete de Flavio na Alerj. As investigações sobre as suspeitas de “rachadinha” são atribuição de outro órgão  do MP, o Grupo de Atuação Especializada de Combate à Corrupção (Gaecc).

Queiroz já não era oficialmente funcionário do hoje senador desde 16 de outubro. As conversas com Danielle, contudo, sugerem que ele seguia tomando decisões em nome do parlamentar, que sempre afirmou não saber das atividades do PM. O ex-assessor pediu ainda para ela parasse de usar o sobrenome Nóbrega, a fim de evitar a associação do miliciano com o gabinete de Flávio. 

As exonerações do próprio Queiroz, na Alerj, e de sua filha Nathalia, no escritório de apoio do então deputado federal Jair Bolsonaro, pai de Flávio, também ocorreram num contexto de blindagem de Flávio. Apesar de o caso ter sido revelado em dezembro, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) já havia aberto em julho um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar irregularidades no gabinete. 

A defesa de Queiroz alega que, pela influência que ele tinha no gabinete, continuava a ser procurado por assessores — principalmente os nomeados diretamente por ele, como foi Danielle — mesmo fora do cargo.

“A defesa técnica de Fabrício Queiroz lamenta que mesmo diante da comprovada fragilidade de sua saúde, a devassa em sua vida pessoal e profissional não cessem, inclusive com o vazamento de informações relacionadas ao seu sigilo telefônico”, afirmou em nota o advogado Paulo Klein.

“De todo modo, tais diálogos tinham como objetivo evitar que se pudesse criar qualquer suposição espúria de um vínculo entre ele e a milícia. Na realidade, a senhora Daniele foi convidada por ele a participar do gabinete em razão do trabalho social relevante do qual participa. Infelizmente, ao que parece, neste momento, todo e qualquer fato é  distorcido com vistas a revelar algo supostamente ilícito, quando, em verdade, somente houve trabalho sério, honesto e comprometido.”

Conhecido como Capitão Adriano, o ex-marido de Danielle é apontado como chefe do Escritório do Crime, uma das milícias mais poderosas do Rio, e está foragido. Ele e Queiroz trabalharam juntos no 18º batalhão da Polícia Militar, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade. 

Procurado, o senador Flávio Bolsonaro não quis fazer comentários.

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