Marcello Casal Jr/Agencia Brasil (13/09/2019)
Marcello Casal Jr/Agencia Brasil (13/09/2019)

Médico de Bolsonaro diz que resolverá sobre cirurgia amanhã após exame clínico criterioso

Responsável pelo tratamento do presidente desde a facada, em 2018, Antônio Luiz Macedo diz que decisão sobre etapas do tratamento será tomada após exame clínico criterioso

Iander Porcella, Matheus de Souza e Cristiane Segatto, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 16h02
Atualizado 03 de janeiro de 2022 | 20h53

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O médico-cirurgião que acompanha o presidente Jair Bolsonaro (PL), Antônio Luiz Macedo, afirmou ao Estadão/Broadcast Político que decidirá se o tratamento incluirá uma nova cirurgia nesta terça, 4, após realizar um exame clínico criterioso em Bolsonaro. O mandatário está internado no Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, desde a madrugada desta segunda, 3, com novo quadro de obstrução intestinal. Macedo, que estava em férias no exterior, deve chegar ao local por volta das 2h de terça.

“A decisão se (Bolsonaro) vai ser operado ou não depende de um exame clínico criterioso por parte do cirurgião. Não é uma tomografia que vai dizer se vai ser operado, hemograma, PCR, nada disso. É o exame clínico adequado por parte do cirurgião”, afirmou o médico, por meio de um áudio enviado à reportagem pelo WhatsApp.

De acordo com o profissional, outros médicos do Vila Nova Star já examinaram o presidente e avaliaram que talvez a cirurgia não seja necessária. “Mas, eu chegando, vou direto ao hospital, vou examinar direitinho e ver se há necessidade de operação ou não”, acrescentou.

De acordo com boletim médico divulgado na noite desta segunda, Bolsonarou apresentou “melhora clínica”, mas não havia definição sobre nova cirurgia.

Segundo fontes do hospital ouvidas pelo Estadão, os médicos estão tentando evitar ao máximo uma nova cirurgia porque o abdome de Bolsonaro já sofreu importantes intervenções anteriormente. O presidente ficou com herniações que limitam a mobilidade do intestino. Elas precisam, de fato, ser avaliadas por Macedo, que o operou anteriormente.

Macedo deve chegar à capital paulista por volta das 2h desta terça. Ele também teve as férias interrompidas – estava em viagem nas Bahamas – e não aceitou voltar em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). “Jamais iria gastar dinheiro do governo brasileiro utilizando avião da FAB. O avião não é da FAB”, afirmou.

A aeronave que buscará Macedo e a esposa nas Bahamas, de acordo com ele, está agora na França e é propriedade da Rede D’Or, dona do Hospital Vila Nova Star. “Não temos como chegar em São Paulo em avião comercial rápido. Então, o avião vai nos pegar agora à noite”, explicou.

Macedo acompanha o presidente desde setembro de 2018, quando Bolsonaro sofreu uma facada na região do abdômen durante a campanha eleitoral. 

Pelas redes sociais, Bolsonaro relatou que sentiu um desconforto abdominal anteontem, em São Francisco do Sul (SC), onde passava férias desde o dia 27. A previsão era voltar a Brasília, mas a opção foi deixar o litoral catarinense de helicóptero em direção a Joinville ainda de madrugada. De lá, embarcou para São Paulo e, após passar por exames, foi diagnosticada nova obstrução intestinal.  Pela manhã, o hospital havia informado que o mandatário está estável, em tratamento e sem previsão de alta.

“Comecei a passar mal após o almoço de domingo. Cheguei ao hospital às 3h de hoje (ontem). Me colocaram sonda nasogástrica  (para alimentação). Mais exames serão feitos para possível cirurgia de obstrução interna na região abdominal”, escreveu Bolsonaro no Twitter. Em uma foto divulgada com a publicação, o presidente aparece na cama do hospital fazendo gesto positivo e já usando a sonda.

Por enquanto, Bolsonaro segue em tratamento clínico, com uso de analgésicos, sonda nasogástrica e alimentação por soro. O objetivo é esvaziar o estômago e o intestino para que o órgão possa descansar.

Em julho do ano passado, o presidente deu entrada na mesma unidade com sintomas parecidos. Na época, ele seria operado, mas o intestino voltou a funcionar durante a internação. Em geral, os médicos esperam cerca de dois dias para ver se o órgão faz esse movimento. Quando isso não ocorre, é preciso operar o paciente.

Segundo especialistas, quadros de obstrução do intestino podem ocorrer em pacientes que já enfrentaram procedimentos cirúrgicos na região abdominal – Bolsonaro já foi submetido a seis procedimento.

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