Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ex-procurador Miller e Joesley Batista viram réus acusados de corrupção

Denúncia aponta como crime a promessa de pagamento de R$ 700 mil a Miller para ele dar orientações na colaboração premiada enquanto ainda era integrante do MPF

Teo Cury, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 14h48

BRASÍLIA - A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-procurador da República Marcello Miller, apontado como “estrategista dos acordos de colaboração”, e contra o empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. Eles se tornaram réus acusados de corrupção. Também se tornaram réus procurador jurídico do grupo Francisco Assis e Silva e a advogada Esther Flesch, ex-sócia do escritório Trench Rossi e Watanabe.

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A denúncia, aceita pela 15ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, aponta como crime uma promessa de pagamento indevido de R$ 700 mil dos executivos a Miller para dar orientações na colaboração premiada enquanto ainda era integrante do MPF.

O pagamento seria feito por meio de um contrato entre Miller e o escritório Trench, Rossi e Watanabe, por serviços prestados entre março e o início de abril, enquanto ainda não havia sido exonerado do MPF, sendo que o escritório só o contrataria formalmente a partir de 5 de abril. Os procuradores não mencionam se os valores chegaram a ser pagos.

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Em nota, a defesa de Joesley Batista reafirma que o colaborador não praticou o crime a ele imputado. “O empresário nunca ofereceu qualquer vantagem indevida a Marcello Miller e reitera que eventual irregularidade na contratação de um sócio pelo maior escritório de compliance do mundo deve recair única e exclusivamente sobre essa banca de advogados. Nem mesmo a advogada criminalista contratada à época para conduzir a colaboração premiada alertou acerca de qualquer irregularidade”, diz a nota.

A defesa de Miller e dos outros réus não foi localizada até a conclusão desta reportagem.

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