Amanda Perobelli/REUTERS e Dida Sampaio/ESTADÃO
Amanda Perobelli/REUTERS e Dida Sampaio/ESTADÃO

Lula e Bolsonaro 'ofuscam' atrações do Lollapalooza no Twitter após decisão do TSE

De acordo com a consultoria Bites, #lulapalooza e #forabolsonaro se tornaram as hashtags mais compartilhadas por quem acompanhava o evento na rede social

Natália Santos, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 15h57

O Lollapalooza Brasil não será lembrado apenas como o primeiro evento de grande porte em São Paulo desde o início da pandemia no País, em março de 2020, mas também pelos embates políticos em que foi envolvido. Levantamento da consultoria Bites, feito a pedido do Estadão, mostra que quase 40% das menções ao festival no Twitter associaram-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao presidente Jair Bolsonaro (PL) ou à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre manifestações políticas de artistas, dividindo o foco do evento entre política e música.

No domingo, 27, o ministro Raul Araújo, do TSE, acolheu pedido do PL, partido de Bolsonaro, para proibir manifestações políticas no festival. A decisão de Araújo fixou multa de R$ 50 mil à organizadora do evento em caso de descumprimento e provocou a reação de artistas e políticos, como o governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência pelo PSDB, João Doria. A motivação do pedido foi dada após o show da cantora Pabllo Vittar, quando ela segurou uma bandeira estampada com o rosto de Lula, provável candidato do PT à Presidência.

De acordo com a consultoria Bites, entre os dias 25 e 28 de março, houve 2 milhões de menções ao Lollapalooza no Twitter, concentradas principalmente no domingo. Desse total, 666 mil menções estavam ligadas a termos relacionados ao TSE ou a manifestações políticas. Entre os 10 tuítes com mais compartilhamentos, 5 criticaram a decisão do tribunal.

O levantamento ainda mostra que as hashtags #lulapalooza e #forabolsonaro estiveram à frente da própria hashtag do evento, a #lollabrnomultishow. A primeira, que faz referência ao ex-presidente, esteve presente em 100.359 menções, pouco mais de 15% do total das associações entre o festival e política. As mensagens com maior volume de compartilhamentos criticam a decisão do TSE e apoiam Lula e o PT.

A segunda, que pede a saída de Bolsonaro, apareceu em 60.430 menções, cerca de 10% dos posts sobre o festival ligados a termos relacionados ao TSE ou a manifestações políticas. A terceira hashtag, #censuranuncamais, foi citada 10.142 vezes.

Como mostrou o Estadão, a legislação permite mencionar futuras candidaturas e até mesmo elogiar “qualidades pessoais dos pré-candidatos”, desde que não haja pedido direto de voto.

Após a decisão do TSE se tornar pública, artistas que se apresentaram no domingo continuaram a se manifestar. A banda Fresno exibiu um telão com a frase “Fora Bolsonaro” no palco principal do festival e o rapper Djonga, em meio a gritos contra o presidente, disse: "Não pode falar. Já que não pode, vamos falar, porque eu gosto de desobedecer". A cantora Marina Sena, que fez sua estreia no Lollapalooza Brasil, pediu para que as pessoas não deixassem de votar. 

Outros artistas como Gloria Groove, Emicida e Jão incentivaram a regularização do título de eleitor e direcionaram o discurso principalmente para os jovens de 16 anos.

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