Juiz manda prender 13 policiais por suspeita de chacina no Pará

Crimes ocorreram em maio, quando um grupo de 24 policiais foi cumprir mandados de prisão em uma fazenda no interior do Pará e assassinou dez pessoas; episódio ficou conhecimento como 'chacina de Pau d'Arco'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2017 | 16h18

Treze policiais, 11 militares e dois civis, foram presos nesta segunda-feira, 10, suspeitos de participação na morte de dez trabalhadores rurais na fazenda Santa Lúcia, em Pau d'Arco, no sudeste do Pará. As prisões temporárias foram autorizadas pelo juiz Haroldo Silva da Fonseca, da Comarca de Redenção, interior daquele Estado. Entre os policiais presos está o coronel Carlos Kened Gonçalves de Souza. Eles não tinham advogado constituído até o início da tarde.

No última dia 8, líder de acampamento sem-terra onde ocorreu chacina de Pau d'Arco foi assassinado. Rosenildo Pereira de Almeida, o “Negão”, de 44 anos, deixou a comunidade em que vivia com antigos ocupantes da Santa Lúcia porque vinha recebendo ameaças. Ele foi executado com tiros na cabeça ao sair de uma igreja. A Polícia Federal ainda investiga se a morte tem relação com a chacina.

As detenções foram pedidas pelo Ministério Público, após evidências de que os trabalhadores rurais foram assassinados. Policiais federais foram destacados para cumprir os mandados de prisão. Oito policiais militares e um civil foram presos em Redenção, enquanto os demais foram detidos em Belém. Por ordem do juiz, os policiais foram levados para o Centro de Recuperação Especial Cel. Anastácio das Neves (Crecan), em Santa Izabel, na Região Metropolitana de Prisão.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública do Pará informou ter agendado entrevista coletiva às 17 horas, em conjunto com a Polícia Federal e a Polícia Civil, para passar informações relativas às prisões.

Os crimes, que ficaram conhecidos como a “chacina de Pau D'Arco”, aconteceram no dia 24 de maio, quando um grupo de 24 policiais militares e quatro policiais civis foram à fazenda para cumprir mandados de prisão de suspeitos da morte de Marcos Batista Ramos Montenegro, segurança da propriedade, que havia sido assinado no dia 30 de abril. De acordo com o promotor Alfredo Martins de Amorim, um dos que assinam os pedidos de prisão, a promotoria trabalha com evidências de que houve execução. Segundo ele, foi permitida a participação irregular de seguranças da fazenda na operação.

Defesa. Sobre as prisões de 11 policiais militares e dois policiais civis, suspeitos de terem assassinado 10 trabalhadores rurais sem-terra, em Pau D'Arco (PA), a Polícia Civil informou que atua em conjunto com a Polícia Federal na apuração do caso e que não se pronuncia sobre decisões judiciais. Já a Polícia Militar informou que as prisões temporárias fazem parte da investigação e vai aguardar o fim das apurações. As corregedorias das duas polícias também investigam a ação policial que resultou nas mortes.

 

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