Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Pozzebom/Agência Brasil

Joice Hasselmann é a nova líder da bancada do PSL na Câmara

Punidos pela Executiva do partido, 14 deputados deixarão de contar para a bancada enquanto durar a suspensão

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 11h14

BRASÍLIA - Após consolidar a suspensão de 14 deputados, a bancada do PSL na Câmara escolheu a deputada Joice Hasselmann (SP) como a nova líder. Ela assume o lugar do deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.

Esse é mais um capítulo da crise interna do partido que começou em outubro e culminou com a desfiliação do presidente Jair Bolsonaro, que trabalha agora para criação da nova legenda Aliança pelo Brasil.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu na terça-feira, 10, que os 14 deputados do PSL punidos pela Executiva do partido deixarão de contar para efeitos de bancada enquanto durar a suspensão anunciada pela legenda, que varia de 3 a 12 meses, dependendo do parlamentar.  A decisão determina, entre outras medidas, o afastamento desses deputados das funções de liderança e vice-liderança. Assim, Eduardo, que está atualmente em viagem no exterior, em Israel, deixa o posto.

Apesar de perder a liderança, Eduardo mantém o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, para o qual foi eleito.

Partido encolhe

A bancada do PSL na Câmara será reduzida de 53 deputados para 39 deputados. Com isso, o partido terá reduzido de três para dois o número de destaques - tentativas de mudar o texto - que poderá apresentar em plenário. O tempo do líder também será reduzido em um minuto: de sete minutos para seis minutos.

A bancada volta a aumentar assim que acabarem as punições impostas pelo partido.

A disputa entre os dois grupos criados no PSL - os “bolsonaristas”, ligados a Jair Bolsonaro, e “bivaristas”, do presidente do partido, Luciano Bivar (PE) - tem como pano de fundo o controle dos recursos recebidos pelo PSL, que cresceu exponencialmente de um para 52 deputados no ano passado. A estimativa é de que o partido recebe uma quantia próxima de R$ 1 bilhão em recursos públicos até 2022.

'Cheio de traíras'

Bolsonaro disse nesta quarta-feira a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que "está cheio de traíras" o partido que "deixou para trás". "Estou fazendo um partido que vai estar de novo sem televisão. Vou ter critério concreto para botar gente no meu partido", afirmou. 

A apoiadores, Boslonaro disse que em 2022 estará "na campanha". "De uma forma ou de outra", afirmou, sem deixar claro se como candidato a presidente ou não. 

O presidente corre contra o tempo para viabilizar o Aliança pelo Brasil a tempo das eleições municipais de 2020. A ideia é usar a coleta por meio digital, o que ainda depende de regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O novo partido tem de ser aprovado até o final de março para lançar candidatos às eleições do próximo ano.

 

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