Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Jean Wyllys cita ameaças e abre mão de assumir terceiro mandato

Deputado federal do PSOL diz que tomou decisão por temer pela sua vida e decide morar fora do País

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 17h17
Atualizado 25 de janeiro de 2019 | 13h18

BRASÍLIA - O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) anunciou nesta quinta-feira, 24, que desistiu de assumir seu terceiro mandato na Câmara e disse que tomou a decisão por sofrer ameaças e temer por sua vida. Jean Wyllys foi reeleito em outubro com 24.295 votos. 

A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo e, na sequência, o parlamentar confirmou a decisão em sua conta no Twitter. “Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores”, escreveu o deputado do PSOL, que conta com escolta policial e deverá deixar o País.

Jean Wyllys foi o primeiro parlamentar assumidamente gay a defender a causa LGBT no Congresso Nacional. Ele alcançou projeção nacional após vencer o reality show Big Brother Brasil, da TV Globo.

A renúncia ainda não foi oficializada. Quando confirmada, a vaga será ocupada por David Miranda, também do PSOL.

Também na sua conta do Twitter, o deputado federal deu destaque a um post de abril de 2018 com um vídeo no qual mostra ameaças de morte a ele pelas redes sociais, além de acusações de pedofilia e pornografia infantil. O vídeo também associa a vereadora carioca assassinada Marielle Franco, do mesmo partido de Jean, como personalidade política que também sofreu ameaças de morte. 

Colegas do deputado do PSOL lamentaram ontem a sua decisão nas redes sociais. “A decisão de deixar o Brasil é sintoma deste tempo sombrio em que o ódio tomou a política”, escreveu o deputado eleito e candidato à presidência da Câmara, Marcelo Freixo (PSOL-RJ). 

O líder do PCdoB na Câmara, Orlando Silva, disse que a Casa perdeu um parlamentar “qualificado e batalhador”. 

Deputado era rival declarado de Jair Bolsonaro na Câmara

Jean Wyllys e o presidente Jair Bolsonaro eram rivais declarados na Câmara dos Deputados e chegaram a protagonizar embates polêmicos na Casa. Em abril de 2016, durante a análise do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o parlamentar do PSOL cuspiu em Bolsonaro. 

O Conselho de Ética abriu um processo para apurar o caso. Logo após a divulgação da desistência do deputado, Bolsonaro publicou a mensagem “grande dia” em seu Twitter. Seu filho o vereador Carlos Bolsonaro publicou minutos depois: “Vá com Deus e seja feliz!”. 

Freixo atacou o presidente na rede social: “Que tal você começar a se comportar como presidente da República e parar de agir como um moleque? Tenha postura”. Na sequência, Bolsonaro negou que a mensagem tinha relação com Jean Wyllys. “Fake News! Referi-me à missão concluída, reuniões produtivas com Chefes de Estado, voltando ao país que amo, Bolsa batendo novo recorde na casa dos 97.000 e confiança no nosso país sendo restabelecida, isso faz de hoje um grande dia”, escreveu.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também lamentou ontem a decisão tomada por Jean Wyllys. “Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes no campo da ideias, reconheço a importância do seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune.”

Mais conteúdo sobre:
Jean WyllysCongresso Nacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.