REUTERS/Ricardo Moraes
REUTERS/Ricardo Moraes

No lugar de Jean Wyllys, David Miranda deve manter a bandeira LGBT na Câmara

Vereador carioca vê com bons olhos oportunidade de ir para a Câmara dos Deputados

Entrevista com

David Miranda, vereador do PSOL

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 19h53
Atualizado 24 de janeiro de 2019 | 21h05

BRASÍLIA - O vereador David Miranda (PSOL-RJ), de 33 anos, vai assumir a vaga deixada por Jean Wyllys (PSOL-RJ) na Câmara. Assim como o parlamentar que anunciou nesta quinta-feira,  24, que desistirá do mandato, Miranda, casado há 14 anos com o jornalista americano Glenn Greenwald, carrega a bandeira LGBT. A seguir, trechos da entrevista concedida por Miranda.

Quando o sr. soube da decisão de Jean Wyllys de desistir do mandato?

Fiquei sabendo hoje. Fiquei muito triste, mas é totalmente compreensível. Há menos de onze meses, uma companheira de partido (vereadora Marielle Franco) foi assassinada brutalmente e até hoje a gente não tem resposta. O Jean sempre recebeu muitas ameaças e foi muito assediado, tanto no Congresso como nas ruas. Eu sofri bastante com LGBTfobia, mas não nesse nível que o Jean recebia por causa de fake news que faziam sobre ele. Mas ele sai como uma figura bastante fortalecida da política nacional. Deixa um legado, porque foi o primeiro deputado federal assumidamente LGBT que lutou pelas nossas pautas. 

Qual deve ser o trabalho do senhor e do PSOL nesta nova legislatura da Câmara?

Não dá para saber como vão ser as configurações desse novo governo lá (no Congresso), mas estarei pronto para trazer o meu melhor. Nos últimos dois anos, aqui no Rio, fui um dos parlamentares que mais aprovaram leis. Vou levar minha juventude, minha garra. 

A oposição terá dificuldade de atuar na Câmara?

Acho que vamos ter dificuldade para fazer diversas atuações, mas temos experiência. Temos uma galera que sabe utilizar as comissões, pedir vista. Sabemos fazer a nossa parte. Ser oposição não me impediu (na Câmara Municipal) de passar um monte de leis na cidade nem de demonstrar erros da administração (local). O fato de estarmos em menor número não quer dizer que a gente não saiba ter diálogo e movimentar as massas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.