Reprodução/TV Estadão
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Huck: 'Se tributar (grandes fortunas), acho que o dinheiro escapa do País'

Apresentador cotado para disputar Presidência em 2022 participou de painel sobre desigualdade na Brazil Conference

Matheus Lara e Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 21h17

Cotado para disputar a Presidência da República em 2022, o apresentador Luciano Huck (sem partido) disse nesta segunda, 27, achar que a taxação de grandes fortunas pode prejudicar o País durante painel sobre desigualdade na Brazil Conference at Harvard & MIT. O evento feito por videoconferência por causa do coronavírus foi transmitido com exclusividade pelo Estado.

Também participaram do debate sobre o tema o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES), parceiro de Huck no movimento RenovaBR, e a socióloga Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil, que argumentou a favor da taxação de fortunas. Contrariado por Katia, Huck recuou, disse que não era "técnico", mas sim "curioso", defendeu a taxação de lucros e dividendos, e então não comentou sobre o que havia dito antes sobre taxação de fortunas.

Ao abrir a discussão, o apresentador chegou a dizer que não se posiciona contra contra, mas que acha que a malha tributária do País poderia permitir "engenharias fiscais" para donos de grandes fortunas levarem seu dinheiro para outro lugar.

"Eu não sou contra (taxar fortunas), de jeito nenhum, mas quando você enxerga a colcha de retalhos que é a malha tributária brasileira, você vê a bagunça que ela é hoje. A gente tem que rever isso, a reforma (tributária) é super importante. Se você tributar a fortuna, acho que o dinheiro escapa (do País). Vão ter engenharias fiscais que vão fazer o dinheiro não ficar mais aqui e isso seria ruim para o País."

Huck voltou a defender a tributação sobre heranças. "Não acho que tem que tributar a fortuna, mas a herança é importante. A gente tem que discutir a transferência". Rigoni endossou Huck e disse que defende tributação também sobre patrimônios territoriais, embarcações e aeronaves e sobre a renda, lucros e dividendos. 

Katia discordou dos dois. "Essa coisa de que a fortuna vai sair é relativa. Primeiro, o Brasil já tem um valor de evasão fiscal muito grande. Os auditores da Receita sobre mostram números mostrando o quanto deixamos de arrecadar porque já há um investimento em paraísos fiscais. Segundo, a taxação de fortunas, lucros e dividendos já existe lá fora. Se a pessoa vai deixar de por dinheiro no Brasil para colocar num país da Europa por exemplo, isso é taxado. Só dois países da Organzação para Cooperação e Desenvolvimento Econômico não taxam: Estônia e Brasil. O mercado nesse mundo capitalista taxa grandes fortunas, lucros e dividendos."

Huck recuou depois da fala de Katia: "Sinceramente falando, sou curioso e não sou técnico em tributação. O Brasil tributa quem tem menos e não quem tem mais de maneira proporcional. O Brasil tem capacidade e gente competente em todas as áreas para dialogar sobre isso, para fazer um sistema tributário mais eficiente e progressivo. Confesso que não sou técnico, mas tem que ser debatido (o assunto)."

Mais cedo, durante o painel que ainda teve a participação de Douglas Oliveira, fundador do projeto social Primeira Chance no Complexo da Coruja, em São Gonçalo, no Rio, Huck tinha afirmado que, em sua opinião, o Brasil nunca foi tão solidário como durante a pandemia do coronavírus e que, como parte da parcela mais rica da população, se sente na obrigação de ajudar. "A elite (da qual faço parte) sempre foi acusada de passividade. Chegou a hora desse 1% fazer parte da solução. Não consigo ver um problema e não achar que faço parte dele." 

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