Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Grupo de Bivar quer afastamento de deputados do PSL pró-Bolsonaro

Apenas Eduardo Bolsonaro deve permanecer à frente da Comissão de Relações Exteriores

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2019 | 22h38

BRASÍLIA - Os deputados do PSL ligados ao presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), vão defender, nesta terça-feira, 15, o afastamento das funções partidárias e das vagas nas comissões da Câmara de todos os parlamentares que assinaram o manifesto em favor do presidente Jair Bolsonaro. Apenas o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (SP), deve ser poupado e permanecer à frente da Comissão de Relações Exteriores (Creden).

A medida é uma reação dos "bivaristas" ao grupo político controlado por Bolsonaro. O presidente busca uma saída jurídica para afastar Bivar do comando da legenda ou mudar de partido, levando os deputados do seu grupo sem que eles sejam punidos com a perda do mandato.

Nesta segunda-feira, 14, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, declarou que o presidente analisa "dia a dia" sua situação com o PSL. Segundo o porta-voz, Bolsonaro disse que “qualquer casamento é passível de divórcio”.

A decisão do afastamento dos deputados bolsonaristas foi tomada em conversas realizadas no final de semana pelo grupo político de Bivar. Eles definiram que era hora de “oxigenar” a bancada, dando espaço aos parlamentares “fiéis” ao partido.

A maioria dos deputados que assinou o manifesto em favor de Bolsonaro tem cadeiras em comissões importantes da Câmara, como a de Constituição e Justiça (CCJ), Finanças e Tributação (CFT) e a própria Creden. Entre os parlamentares que podem perder espaço estão Filipe Barros (PR), Carla Zambelli (SP), Bia Kicis (DF), Hélio Lopes (RJ), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) e Carlos Jordy (RJ), vistos como “cabeças” da dissidência.

Os "bivaristas" decidiram, porém, que não é o momento de retaliar Eduardo Bolsonaro e vão manter os espaços que ele tem na Câmara e no partido. A avaliação é a de que atacar diretamente um dos filhos do presidente traria a ira de Bolsonaro contra a legenda.

Na noite desta segunda, 14, alguns deputados da ala pró-Bolsonaro se reuniram no apartamento de Filipe Barros. Ali foi discutido que seria um erro deixar o PSL agora e que o melhor cenário é mesmo esperar uma saída jurídica para todos. 

Bolsonaro cobra uma auditoria nas contas do PSL nos últimos cinco anos, mas o pano de fundo é conseguir na Justiça o afastamento de Bivar, abrindo espaço para ele e para os filhos no comando do partido.

Outro ponto discutido na reunião desta segunda foi o cenário político de 2020. Pelo menos quatro “cabeças” da insurreição no PSL – Filipe Barros, de Londrina (PR); Daniel Silveira, de Petrópolis (RJ); Jordy, de Niterói (RJ), e Hélio Lopes, Rio (RJ) – querem disputar prefeituras no ano que vem e não teriam tempo para conseguir construir um projeto político em outro partido.

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