Governo faz novas trocas na CCJ para ter placar favorável

Planalto promoveu mais três substituições na comissão da Câmara que analisa a denúncia contra Michel Temer

Renan Truffi, Rafael Moraes Moura, Daiene Cardoso e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 00h11

BRASÍLIA - Mesmo após ter promovido uma série de trocas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o governo precisou fazer mais outras três nesta quarta-feira para tentar garantir uma votação favorável ao presidente Michel Temer contra a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

Apesar das críticas da oposição, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, rejeitou um mandado de segurança impetrado por um grupo de seis parlamentares que pretendia restaurar a composição prévia da CCJ. Para a ministra, “a matéria é de cuidado único e interno do corpo legislativo competente, no caso, da Câmara”.

A principal mudança feita pelos governistas na CCJ foi a que envolveu o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos vice-líderes da gestão peemedebista na Câmara. Ele passou a ser titular da comissão na vaga de Osmar Serraglio (PMDB-PR), ex-ministro da Justiça.

Serraglio não assinou o voto em separado apresentado pela bancada do PMDB à CCJ, contra a admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República. Além dele, só não assinaram o documento o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), e o relator, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ).

A deputada Soraya Santos (PMDB-RJ) também deixou de ser titular e abriu espaço para o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA). A troca nesse caso ocorreu porque Soraya não poderá estar presente na votação. 

Como estratégia de ampliar margem de votos, o PP também retirou da comissão um de seus representantes mais expressivos do colegiado: Esperidião Amin (SC). Em seu lugar entrou Toninho Pinheiro (PP-MG). Isso porque bancada fechou questão e vai votar com o governo nessa questão. 

PACHECO SUSPENDE SOM APÓS DISCUSSÃO

O deputado Wladimir Costa (SD-PA) chamou o relator de “burro” e “incompetente” e classificou o parecer como “sofrido”. Diante das ofensas, Pacheco chegou a suspender o som do microfone de Costa por alguns minutos e pediu que respeitasse os outros parlamentares.

Primeiro a falar, Paulo Maluf (PP-SP) saiu em defesa de Temer. “Essa denúncia é vazia. [...]Conheço Temer há 35 anos e em 35 anos de convivência não dá para a gente se enganar. Temer é um homem honesto, probo, correto e decente, que está sendo acusado de maneira absolutamente imprópria”, declarou. Maluf defendeu que os parlamentares “larguem de hipocrisia” e rejeitem a denúncia “pelo bem do País”. 

Outro destaque foi o primeiro posicionamento de um tucano na sessão. Os deputados do PSDB não tinham se manifestado. Betinho Gomes (PSDB-PE) quebrou o silêncio e confirmou que votará a favor da denúncia. “Se a sociedade exige explicações, creio que este deve ser o melhor papel e caminho a ser seguido”, disse. Ele lembrou que os integrantes da bancada foram liberados para votar “de acordo com a consciência”.

DENÚNCIA DEVE SER VOTADA NESTA QUINTA

A sessão também teve uma disputa entre a troque de choque do governo e Pacheco. Governistas ameaçavam apresentar um requerimento para encerrar a discussão. Pacheco ameaçou encerrar a sessão, se o requerimento fosse apresentado. Mas acabou-se indicando que a sessão poderia invadir a madrugada para que os debates fossem encerrados. Com isso, a denúncia deve ser votada hoje, na CCJ, e amanhã no plenário da Casa.  COLABOROU BRENO PIRES

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