Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Flagrado com dinheiro na cueca, Chico Rodrigues pede afastamento do Senado

Inicialmente, senador havia solicitado 90 dias, mas corrigiu para 121 dias, o que abre caminho para que o suplente, seu filho, assuma

Breno Pires e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2020 | 09h44
Atualizado 20 de outubro de 2020 | 23h20

BRASÍLIA - O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado escondendo mais de R$ 30 mil na cueca, pediu licença do Senado na manhã desta terça-feira, 20.  Inicialmente, o senador havia solicitado 90 dias de afastamento, mas, no começo da tarde, corrigiu para 121 dias. Na petição, ele disse que a decisão de esconder dinheiro foi "irracional".

Na prática, a mudança abre caminho para o suplente e filho do parlamentar, Pedro Rodrigues (DEM-RR), assumir a vaga durante esse período. O Senado ainda terá de dar posse ao suplente. A Casa não se manifestou oficialmente sobre qual será o encaminhamento. Pelo regimento, a substituição só ocorre em caso de licenças superiores a 120 dias.

Administrador de empresas, Pedro vai estrear em cargo eletivo recebendo salário de R$ 33,7 mil. Além disso, poderá herdar o imóvel funcional usado pelo pai em Brasília ou fazer uso de auxílio-moradia (R$ 5,5 mil por mês). Ao deixar Boa Vista (RR), embolsará o auxílio-mudança equivalente a um salário. E, no cargo, terá direito a ressarcimento de despesas médicas e à cota de R$ 40,7 mil por mês, além de escritório de apoio em Roraima e funcionários de gabinete. Se ficar no mandato por 180 dias, ele ainda tem acesso ao plano de saúde vitalício da Casa. A licença de Rodrigues também pode ser renovada. 

Com a medida do ex-vice-líder do governo, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na tarde desta terça-feira sua decisão que afastou Rodrigues por 90 dias na semana passada. Assim, o plenário da Corte não julgará mais a liminar sobre o afastamento do senador.

 

O senador é suspeito de participar de um esquema de desvio de recursos destinados ao combate à covid-19. Desde que o escândalo veio à tona, após a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União identificar irregularidades na aplicação de emendas parlamentares, o presidente Jair Bolsonaro procura se desvencilhar do antigo aliado, que era vice-líder do governo no Senado e perdeu o posto.

O suplente Pedro Arthur Rodrigues também teve o quarto vasculhado pela Polícia Federal durante a operação que encontrou dinheiro na cueca do pai.

Chico Rodrigues diz na petição que esconder dinheiro foi 'irracional'

Na mensagem ao Senado, Chico Rodrigues negou que o dinheiro ocultado na cueca durante uma operação da Polícia Federal tenha sido fruto de corrupção. Ele afirmou que o dinheiro era destinado para pagar funcionários de uma empresa da família, como já havia dito sua defesa na segunda-feira. "A verdade é que, em um ato impulsivo, acordado pela Polícia, de pijama, assustado com a presença de estranhos em meu quarto, tive a infelicidade de tomar a decisão mais irracional de toda a minha vida", afirmou o senador em mensagem encaminhada junto com a petição para licença do mandato. Os detalhes da apreensão, afirmou Rodrigues, são fruto de uma "atitude impensada". 

 Ele alegou ainda que sua declaração de Imposto de Renda comprova a origem lícita dos recursos. O parlamentar encaminhou o documento ao Senado, mas a declaração não se tornou pública. 

Na segunda-feira, a defesa alegou que Rodrigues "está sendo linchado por ter guardado seu próprio dinheiro". Também ontem, Chico Rodrigues deixou o Conselho de Ética do Senado.

 

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