Executivo da GE e mais 22 são denunciados por fraude em contratos na saúde no Rio

Operação Ressonância investiga fraudes em licitações na área da saúde firmados pelo Estado do Rio e pelo Instituto Nacional de Traumatologia entre 1996 e 2017

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 13h32
Atualizado 09 Agosto 2018 | 12h39

RIO - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 23 pessoas no âmbito da Operação Ressonância, que investiga fraudes em contratos na área da saúde celebrados pelo Estado do Rio e pelo Instituto Nacional de Traumatologia (Into). Entre elas estão o CEO da General Electric Daurio Speranzini Junior, o executivo da Philips Frederik Knudsen, o ex-secretário de Saúde do Rio Sérgio Côrtes e o empresário Miguel Iskin. 

De acordo com a Procuradoria da República no Rio, a partir das investigações da operação Fatura Exposta, órgãos de controle como o Conselho de Defesa Administrativa (Cade), o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) identificaram um cartel de fornecedores que atuou entre os anos de 1996 e 2017 no Into.

A empresa Oscar Iskin, do empresário Miguel Iskin, seria a líder do cartel formado por pelo menos 33 empresas, algumas delas atuando como laranjas das demais, que se organizavam no chamado “clube do pregão internacional”.

De acordo com o MPF, Frederik Knudsen e Daurio Speranzini, supervisor de vendas da Philips e CEO da empresa na América Latina, respectivamente, na época dos fatos, aderiram à organização criminosa, fraudando licitações, através de direcionamentos e acertos com os concorrentes, capitaneados pela empresa Oscar Iskin.

Segundo órgão, a relação foi demonstrada "em farto conjunto probatório juntado aos autos", em especial através de e-mails, contatos, depoimentos dos colaboradores e análises de licitações fraudadas "em que ambos aparecem diretamente envolvidos".

"Frederik Knudsen tinha absoluto conhecimento do esquema fraudulento idealizado por Miguel Iskin para as contratações com o Poder Público e pagamentos de vultosas comissões no exterior" (...) "além disso, restou demonstrado que Frederik Knudsen, mesmo após as investigações internas, permaneceu nos quadros de comando da Philips, conforme informação constante em sua rede social linkedin", sustentou o MPF.

Já Daurio Speranzini, segundo o MPF, "tinha efetivo conhecimento e poder de decisão quanto aos ajustes ilícitos com a Oscar Iskin", enquanto Knudsen era funcionário do operacional que praticava os atos necessários para as contratações públicas. 

No dia 4 de julho, a Justiça havia autorizado a prisão preventiva de 13 pessoas e a temporária de nove por suposto envolvimento no esquema. Também foi decretado o bloqueio de bens dos investigados no valor de R$ 1,2 bilhão.

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