Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Esteira de R$ 44 mil que governo pretende comprar é de 'excelente nível', diz Mourão

Vice-presidente defende-se de críticas por compra de equipamento de ginástica em meio à pandemia, diz que licitação segue regras e que hoje usa aparelho emprestado

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 13h54

BRASÍLIA - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta quarta-feira, 27, que é de "excelente nível" a esteira ergométrica que o governo federal deve comprar por cerca de R$ 44 mil para equipar o Palácio do Jaburu. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Mourão defendeu-se de críticas que recebeu nas redes sociais pela compra. O general argumentou que a licitação segue as regras da administração pública e que ele e sua equipe contam apenas com um aparelho emprestado para se exercitarem.

"Não dá para continuar com algo emprestado. Não é meu, é patrimônio público. É usado, além de por mim, pela equipe que trabalha lá. A gente tem de ter algo decente para poder manter capacidade física", disse. 

A Vice-Presidência abriu na segunda-feira, 25, licitação para compra do aparelho. A esteira procurada vem com programas pré-configurados de exercício físico, tela touch screen de alta definição, internet, TV e “cursos interativos”.

A justificativa no edital para a compra é que o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, não tem aparelho “minimamente adequado” e que atenda aos “princípios da ergonomia e biomecânica”, para prática de exercícios físicos.

O deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP) ironizou a compra no Twitter: "A 'boa' notícia é que esse valor já inclui o serviço de instalação da esteira. Menos mal, hein?".

A deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) também criticou o edital: "ACABOU A M.A.M.A.T.A TAÓQUEI?", escreveu no Twitter, em caixa alta, ao compartilhar notícia sobre a esteira.

O governo afirma que a guarda do palácio também deve usar o equipamento. “Inclusive com simulação de situações reais onde o caminhar e as corridas são feitas com os uniformes e equipamentos vinculados, visando manter a adequada aptidão física para desempenho de suas atividades”, segundo o edital.

A Vice-Presidência ainda argumenta que a “rotina institucional” força Mourão a realizar exercícios fora do expediente, muito cedo ou muito tarde. “Incapacitando-o de fazê-lo fora de sua residência, sem comprometer e preservando a intimidade, integridade, segurança e lazer”, diz ao justificar a compra.

Mourão é visto com frequência correndo ou pedalando no caminho que liga o Jaburu ao Palácio da Alvorada, onde vive o presidente Jair Bolsonaro. No fim de 2019, quando assumiu interinamente a Presidência durante uma viagem de Bolsonaro, uma entrevista do militar virou meme ao ser identificado como “presidente em exercício”. A ironia era Mourão de fato estar “no exercício” do cargo, mas concedendo entrevista sem camisa, suado, com boné e óculos escuros após jogar vôlei com colegas em Brasília.

Procurada, a Vice-Presidência não se manifestou.

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