Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Estamos fazendo o que deveria ser feito pelo líder do País, diz Doria

Governadores de SP e do Rio reagem a críticas de Bolsonaro a medidas adotadas pelos Estados durante a pandemia de coronavírus

Caio Sartori, Gregory Prudenciano, Pedro Caramuru e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 13h30
Atualizado 20 de março de 2020 | 15h05

Os governadores de São Paulo, João Doria (PSD), e do Rio, Wilson Witzel (PSC), reagiram às críticas do presidente Jair Bolsonaro às medidas dos Estados durante a pandemia de coronavírus.  "Estamos fazendo o que deveria ser feito pelo líder do País, o que o presidente Jair Bolsonaro, lamentavelmente, não faz, e quando faz, faz errado", disse Doria durante entrevista coletiva nesta sexta-feira, 20.

Witzel, por sua vez, afirmou que não há diálogo com o governo federal. "Estamos regulamentando aquilo que nós entendemos que é fundamental para salvar vidas, e o governo federal precisa fazer sua parte. Nós não temos diálogo com o governo federal. Não sou só eu: os governadores que querem falar com o governo federal precisam mandar uma carta”, reclamou, em tom de voz elevado, em entrevista ao vivo para o RJTV, da Rede Globo. 

Mais tarde, foi ao Twitter protestar. "Pelo amor de Deus, o governo federal precisa entender que não é hora de fazer política", escreveu Witzel. "É hora de trabalhar e ajudar os empresários que vão quebrar, as pessoas que vão perder o emprego e os que vão morrer de fome. Os governadores estão trabalhando a mil por hora. Os estados não têm condições de resolver o problema dos empresários que vão quebrar, das pessoas que vão passar necessidade. É hora de agir."

Mais cedo, Bolsonaro disse ser contrário a algumas medidas aplicadas por governadores para conter a disseminação do novo coronavírus. "Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas que não competem a eles, como fechar aeroportos, rodovias, shoppings e feiras", afirmou.

Witzel, contudo, minimizou o aspecto técnico da competência e ressaltou que é preciso adotar iniciativas urgentes contra a crise. “Evidentemente que eu não tenho atribuição para fechar porto, aeroporto. Como disse no decreto, depende das agências reguladoras. Se elas vão fazer o papel delas, isso são elas que vão dizer se vão se omitir”, apontou. 

O governador do Rio disse que está seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), “aquilo que entendemos que é fundamental para salvar vidas”. Enquanto isso, segundo ele, o governo federal se preocupa apenas com questões políticas. “O governo federal precisa entender isso, que é ‘para ontem’ (a adoção de medidas). Enquanto estamos tomando medida, estamos na rua ouvindo pessoas, o governo federal fica fazendo política.”

China

Doria disse que o Estado está "em guerra contra o vírus" e que o enfrentamento à doença deve ser feito com união. "Não há como fazer isso usando de mecanismos ideológicos, sectários, separados", declarou. 

Sem citar nomes,  Doria voltou a se referir às declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que responsabilizou a China pela pandemia do novo coronavírus. "Gostaria de deixar aqui um gesto de solidariedade à China e ao povo chinês. O país se mobilizou para proteger seu povo e somos absolutamente solidários. Não é justo que ninguém, quem quer que seja, possa fazer qualquer tipo de acusação contra a China ou contra o povo chinês", disse Doria.

Distrito Federal

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, quer evitar o confronto direto com o presidente Bolsonaro. Ibaneis afirma que os dois lados têm direito de pensar diferente e que não é momento de politizar a discussão sobre o combate ao novo coronavírus.

"É a visão dele (Bolsonaro). Ele, como nós, temos o direito de pensar diferente. Eu pessoalmente estou tratando do assunto sem politizar, até porque política não deve se misturar com problemas de saúde graves como esse", disse Ibaneis ao Broadcast/Estadão.

O governador, no entanto, defendeu as medidas restritivas adotadas no DF e em outros estados, que envolvem o fechamento do comércio e a suspensão de aulas. "O que está em risco e a saúde da coletividade e os exemplos mundiais infelizmente demonstraram que qualquer lapso de ação pode levar ao desastre", afirmou Ibaneis.

 

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