Equador faz buscas em escritórios da Odebrecht

Operação na cidade de Guayaquil apreendeu notebooks e pastas, nos quais os investigadores esperam encontrar demonstrações financeiras e extratos bancários que indiquem o pagamento de propina no país

Agências internacionais

23 Dezembro 2016 | 20h11

O Equador realizou nesta sexta-feira, 23, uma operação de busca e apreensão em escritórios da Odebrecht no país. A Procuradoria-Geral do Equador informou que iniciou uma investigação prévia sobre os possíveis subornos da Odebrecht no país, com solicitações ao Brasil, Estados Unidos e Suíça para obter informações sobre o caso.

Nesta sexta-feira, 23, a procuradoria do país realizou busca e apreensão em escritórios da Odebrecht na cidade de Guayaquil. Foram levados arquivos como notebooks e pastas, nos quais os investigadores esperam encontrar demonstrações financeiras e extratos bancários que indiquem o pagamento de propina no país.

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que entre 2007 e 2016 a Odebrecht pagou mais de US$ 33,5 milhões em propina a autoridades do governo equatoriano. Na cotação de hoje, o valor corresponde a mais de R$ 100 milhões. O suborno gerou mais de US$ 116 milhões em benefícios à empreiteira brasileira, com contratos públicos com o país, o equivalente a R$ 379 milhões.

Como exemplo, os americanos citam um pagamento de propina a uma autoridade do governo, com controle de contratos com o setor público, para solucionar problemas em contratos relacionados à área de construção.

O gabinete do procurador-geral do Equador, Galo Zambrano, acionou a Controladoria do país, para levantar informações sobre todos os contratos da Odebrecht no país. O procurador afirmou que as investigações ocorrerão de forma célere. Ele também falou, em uma entrevista no país, sobre o bom relacionamento com o procurador-geral da República brasileiro, Rodrigo Janot. 

A Odebrecht possui ao menos oito projetos no Equador, dos quais cinco já foram concluídos. O grupo participou, por exemplo, de obras do projeto hidrelético Manduriacu; da reparação da central hidrelétrica de Pucará;de aqueduto na Refinaria Del Pacífico e da fase 2 da Linha 1 do metrô de Quito. 

As informações sobre o pagamento de propina em ao menos 11 países, além do Brasil, foram tornadas públicas pelos Estados Unidos com o anúncio do acordo de leniência da Odebrecht e da Braskem com os Ministérios Públicos brasileiro, americano e suíço. O pagamento de US$ 788 milhões em propina é relativo a "mais de cem projetos" conquistados pelas empresas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.