JF Diorio/Estadão
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Odebrecht pagou US$ 349 milhões em propina a agentes políticos no Brasil, revela EUA

Segundo o Departamento de Justiça americano, o esquema começou ao menos em 2003 e durou até 2016; valor corresponde a R$ 1,1 bilhão

Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura, Broadcast

21 Dezembro 2016 | 18h14

BRASÍLIA - De acordo com documento divulgado pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou US$ 349 milhões de propina a agentes políticos - tanto partidos, como governantes e candidatos - para obter contratos no Brasil no âmbito da Petrobrás e em outros negócios. O valor, convertido na cotação desta quarta-feira, 21, corresponde a R$ 1,1 bilhão. Em troca, a empresa obteve benefícios na conquista de obras no valor de US$ 1,9 bilhão - ou R$ 6,3 bilhões. O esquema começou ao menos em 2003 durando até 2016, segundo o documento. 

A informação consta em documento tornado público hoje após o anúncio do acordo de leniência da Odebrecht e da Braskem com os Ministérios Públicos brasileiro, americano e suíço.

No âmbito da Petrobrás, entre 2004 e 2012, a Odebrecht realizou pagamento de propina para políticos brasileiros e executivos da estatal para assegurar contratos com a petrolífera. "A Odebrecht participou de uma série de reuniões com outras empreiteiras para dividir contratos de projetos futuros na Petrobrás", narra o documento, mencionando o cartel das empreiteiras, que revezava na obtenção de obras com a estatal.

Ainda de acordo com o departamento de Justiça americano, a Odebrecht realizou numerosos pagamentos ilícitos realizados a partir de bancos sediados nos Estados Unidos para "perpetuar" o esquema de propina no Brasil. 

Como exemplo, os americanos citam transferências no total de quase US$ 40 milhões entre dezembro de 2006 e dezembro de 2007. As transferências foram realizadas de contas baseadas em Nova York para a conta da S&N. 

A Smith&Nash Engineering Company, ou S&N, era uma petrolífera sediada nas Ilhas Virgens, operada pela diretoria do Setor de Operações Estruturadas - o departamento de propina da Odebrecht. A empresa era usada pela Odebrecht no esquema de propina, para realizar pagamentos em vários países. Segundo os EUA, a S&N abriu como offshore ao menos uma conta bancária, na qual a Odebrecht depositava dinheiro de uma série de outras contas bancárias no exterior. 

No primeiro semestre de 2011, a Odebrecht usou a S&N para fazer pagamentos de propina, incluindo repasses de aproximadamente US$ 3,5 milhões e quase 2 milhões de francos suíços para a conta de uma offshore cujo beneficiário era um executivo da Petrobrás. 

Além da Petrobrás, os americanos identificaram pagamentos de propina da Odebrecht em outros negócios, com repasses para partidos políticos, candidatos em campanha e outras autoridades do governo de todos os níveis: municipal, estadual e nacional.

Brasil e mais 11 países. Segundo o documento, a Odebrecht pagou aproximadamente US$ 788 milhões em propina, em 12 países, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela. O pagamento da propina é relativo a "mais de cem projetos".

O DoJ menciona que o Setor de Operações Estruturadas da empresa funcionou como um departamento de propina para a Odebrecht e empresas ligadas à empreiteira. 

Com o pagamento dos US$ 788 milhões em propina, a empresa recebeu benefícios de aproximadamente US$ 3,336 bilhões, segundo os americanos. No câmbio de hoje, o valor correponde a mais de R$ 11 bilhões.

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