Reprodução/Twitter DelBrasGENEBRA
Reprodução/Twitter DelBrasGENEBRA

Embaixadora do Brasil na ONU e Jean Wyllys batem boca durante reunião em Genebra

Maria Nazareth Farani Azevedo interrompe debate para ler discurso de defesa do governo e críticas a ex-deputado; 'Bolsonaro não fugiu do Brasil após tentativa de tirar sua vida'

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 13h57
Atualizado 15 de março de 2019 | 19h40

A embaixadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Nazareth Farani Azevedo, e o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) protagonizaram um bate boca durante um debate promovido pela entidade em Genebra, na Suíça. Maria Nazareth interrompeu o evento, que tinha Wyllys entre os convidados, para ler um discurso em que defende o governo Jair Bolsonaro e critica a atuação do ex-deputado. Ele disse ao Estado que deve entrar com uma representação contra a embaixadora na ONU por causa do episódio.

"O presidente Bolsonaro não fugiu do Brasil após a tentativa real - e muito televisionada - de tirar sua vida", disse a embaixadora. O discurso foi publicado na conta oficial da delegação brasileira em Genebra no Twitter, e republicado pelo Itamaraty na mesma rede social. "O governo Bolsonaro não é uma organização criminosa. Nem o presidente Bolsonaro é fascista ou autoritário. Ele não cuspiu na cara da democracia."

Sem mencionar Wyllys, o texto faz referência à votação do impeachment de Dilma Rousseff, quando o então deputado do PSOL cuspiu em direção a Bolsonaro no plenário da Câmara dos Deputados, e à saída do psolista do País em janeiro deste ano. Na ocasião, Wyllys alegou que sofria constantes ameaças de morte, e abriu mão de assumir o que seria seu terceiro mandato na Câmara.

Após o discurso, mediadores do evento deram a palavra ao ex-deputado para que ele respondesse ao discurso, e convidaram a embaixadora a ficar na reunião. Ela disse que só ficaria se tivese direito à tréplica, o que o mediador se recusou a fazer. Parte da discussão foi filmada pelo jornalista Jamil Chade, e publicada no portal UOL. 

"Se a senhora gosta de debate, a senhora deveria ouvir a minha resposta. O fato de a senhora ter saído, inclusive, do seu lugar e ter vindo com um discurso pronto para esta sala é um sintoma, mesmo, de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo", disse o ex-deputado, enquanto ela se levantava para ir embora. "Não amedronta. Envergonha", respondeu a embaixadora, antes de sair da sala.

O discurso da embaixadora também diz que o governo Bolsonaro está comprometido com a proteção de grupos vulneráveis, inclusive a comunidade LGBT. "Eles (LGBT) estão sendo incluídos e não estão sendo discriminados por qualquer instituição oficial de forma alguma", diz o texto. 

Procurado pelo Estado, Wyllys disse que Maria Nazareth agiu como "fanática" e classificou a atitude como "prova do carreirismo baixo".

"A embaixadora fez um papelão, algo inédito na história da diplomacia brasileira", disse Wyllys. "Eu nunca vi algo semelhante, acho que ela fez para conservar o emprego, mas é triste a falta de amor próprio de alguém que é capaz de fazer um papelão para manter o salário e os privilégios."

Ele disse que o episódio "caiu mal" entre diplomatas estrangeiros em Genebra. Questionado, o Itamaraty não respondeu à reportagem.

Ataques 

Esta não é a primeira vez que Wyllys se torna alvo de manifestações públicas na Europa. Em fevereiro, no primeiro evento em que participou desde sua saída do Brasil, manifestantes do Partido Nacional Renovador (PNR), de Portugal, interromperam uma conferência na Universidade de Coimbra. Dois homens tentaram acertá-lo com ovos.

Wyllys participava, na ocasião, de um debate sobre fake news e discurso de ódio contra minorias.

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