Najara Araujo/Câmara dos Deputados
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Em carta a Maia, Google responde entidades de jornalismo profissional

Gigante de tecnologia é contra responsabilizar mecanismo de busca no PL das fake news, e critica proposta de remunerar veículos profissionais

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2020 | 16h08

Em uma carta enviada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta segunda-feira, 31, o Google Brasil criticou a inclusão das ferramentas de busca no projeto de lei das Fake News, e rebateu alegações de que seus serviços tenham prejudicado o trabalho das redações de jornalismo profissional. O comunicado ocorre após uma coalizão de 27 entidades representativas do setor da comunicação social protocolar na Câmara, há duas semanas, uma carta a Maia em que defendeu a remuneração de conteúdos jornalísticos , e maior transparência no financiamento de publicidade na internet. 

Assinada pelo presidente da empresa de tecnologia no País, Fabio Coelho, a carta argumenta que a responsabilização dos serviços de busca pela propagação de fake news – como tem sido discutido no Congresso – não ajudaria no combate à desinformação. “Ao contrário, isso poderia ser prejudicial ao combate à desinformação ao limitar acesso a uma variedade de fontes de informação”, diz o Google. 

“Consideramos que simplesmente incluir as ferramentas de busca no projeto de lei, sem a devida consideração do conjunto de ações concretas que temos realizado para combater a desinformação em todas as nossas plataformas, poderia fazer com que a futura lei já nascesse obsoleta”, diz a carta. 

A empresa listou providências que tomou no combate às fake news, como “suporte financeiro para o trabalho das empresas jornalísticas, agências de checagem de notícias, pesquisadores e iniciativas de educação midiática” e redução do alcance de notícias falsas. O Google também ressaltou que cumpre regras de transparência e a legislação brasileira para remunerar a publicidade digital, um ponto criticado pelas entidades brasileiras do setor de comunicação. 

A carta traz argumentos contra a proposta de remunerar empresas jornalísticas pelo conteúdo exibido em suas plataformas, que consta na carta enviada a Maia há duas semanas. O Google rebateu a afirmação de que os serviços de busca e redes sociais têm avançado sobre a atuação do jornalismo profissional, ao monopolizar a audiência digital. 

“Os maiores beneficiados com os resultados de busca para notícias são as próprias empresas que as produzem: a Pesquisa do Google direciona cerca de 24 bilhões de cliques por mês para sites de notícia em todo o mundo”, argumenta. O Google alega que proporciona uma audiência “sem precedentes” que poderia ser monetizada por meio de publicidade digital, e diz que a proposta de remuneração de veículos profissionais “desconsidera os arranjos comerciais existentes” e que poderia favorecer grandes veículos de forma desproporcional.

A empresa de tecnologia ainda afirma que está comprometida “em trabalhar com os publishers para dar apoio à sua transformação digital”. 

ANJ

Após a divulgação da carta do Google a Maia, o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, disse que a proposta das entidades não defende uma remuneração por audiência, e sim um mecanismo que remunere o investimento em jornalismo profissional. 

“A remuneração por audiência é justamente uma das distorções que geram desinformação, pois sites de notícias falsas geram muita audiência, e não apoiam os fundamentos básicos de qualidade da informação”, disse Rech. 

Ele diz ainda que a legislação não deve diferenciar a veiculação de propaganda em veículos noticiosos e plataformas de tecnologia. “A publicidade deve ter uma regulamentação similar ou idêntica a qualquer outra plataforma de mídia do País. Rádio, TV e jornal também são plataformas de mídia, então por quê teriam regulação desigual?” 

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