Andre Dusek/Estadão
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‘É o caso de pedir impeachment’, diz Reale Jr.

Um dos autores do pedido de impedimento de Dilma, o jurista diz que Bolsonaro apresentou um 'grau de insanidade' que mistura 'paranoia e insanidade'

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 18h32

Um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), o jurista Miguel Reale Jr, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, disse ao Estado que chegou o momento de pedir o impedimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

“Sem a menor dúvida é o caso de pedir o impeachment dele. Essa revelação do (Sérgio) Moro mostra que o presidente não conhece a esfera da Polícia Federal. Eu fui ministro da Justiça e nunca interferi em um inquérito. Ele querer ter acesso e acompanhar os inquéritos é uma afronta ao Poder Judiciário”, disse o jurista.

Reale afirmou, porém, que dessa vez  não pretende apresentar um pedido de impedimento.“Eu já recebi solicitação de A a Z, mas não pretendo apresentar nenhum pedido.”  Para o ex-ministro, o presidente da República apresentou um “grau de insanidade” que mistura “paranoia e insanidade”.  “É como um bêbado que um dia cai no meio do salão”, afirmou.

Ruas

Após Moro declarar que deixa o cargo após Bolsonaro ter exonerado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, os grupos que foram às ruas pedir o impeachment de Dilma agora avaliam encampar um movimento pelo impedimento do presidente Jair Bolsonaro.

“O MBL (Movimento Brasil Livre) avalia pedir o impeachment de Bolsonaro. As declarações do Moro configuram crime de falsidade ideológica e a demissão de Valeixo foi obstrução de Justiça”, disse Renato Battista, coordenador nacional do movimento.

O ativista afirmou, ainda, que se arrependeu de ter votado em Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. “Hoje eu anularia”, afirmou. 

Fundador do grupo Vem Pra Rua, Rogério Chequer disse que o grupo defende que se siga o mesmo caminho de Dilma. “A pressão popular pelo impeachment é crescente.” O ativista afirmou, ainda, que é difícil comparar os casos de Dilma e Bolsonaro. Perguntado se estava arrependido de ter votado no presidente no segundo turno, respondeu: “Não me arrependo porque jamais votaria no PT”.

 

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