Duas auditorias da estatal estão sob chefia de Cosenza

Atualizado em 19.11 às 15h49

ANTONIO PITA E FERNANDA NUNES, Estadão Conteúdo

18 de novembro de 2014 | 20h53

Citado por um delegado nos depoimentos de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa sobre as investigações de desvios em contratos com a Petrobrás, o atual diretor de Abastecimento da companhia, José Carlos Cosenza, é o responsável por validar o resultado de duas auditorias internas da estatal. Caberá a ele julgar e punir eventuais envolvidos em desvios na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Rnest), as duas principais obras sob investigação da Operação Lava Jato. Pelo regimento da estatal, o diretor das áreas investigadas é responsável por analisar em conjunto com o setor jurídico da empresa as punições cabíveis a eventuais funcionários envolvidos em irregularidades e casos de corrupção.

O nome de Cosenza foi citado indevidamente por delegados da PF ao interrogarem executivos que foram detidos desde a sexta-feira. Ao ser questionada pelo juiz federal Sérgio Moro sobre quais provas existiriam contra Cosenza, a Polícia Federal reconheceu o erro e afirmou que não há evidências sobre a participação do atual diretor sobre sua participação

Ele era subordinado a Paulo Roberto Costa até 2012, atuando na gerência de Refino da diretoria de Abastecimento. Com a saída do ex-diretor, Graça Foster o nomeou para o cargo, atribuindo a ele "virtudes intangíveis" e classificando seu trabalho como "espetacular". Na segunda-feira, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, informou que os relatórios finais das auditorias já estão com os diretores responsáveis, mas não há prazo para punições.

As investigações internas apontaram pelo menos oito funcionários ainda na ativa como beneficiários e facilitadores de desvios na estatal. Entre eles há pessoas em cargos executivos e gerentes de subsidiárias, segundo uma fonte que teve acesso aos relatórios. As auditorias foram apresentadas na última sexta-feira ao Conselho de Administração.

Questionada se o suposto envolvimento do diretor poderia prejudicar o andamento das apurações internas e a aplicação de penalidades, a Petrobrás não se manifestou. Tanto o doleiro quanto o ex-diretor Paulo Roberto Costa afirmaram em depoimento que Cosenza teria se beneficiado de "comissões" distribuída por empreiteiras para garantir contratos na estatal. O atual diretor negou "veementemente" envolvimento em casos de corrupção. Em nota, ele disse ainda desconhecer Alberto Youssef.

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