Iara Morselli / Estadão
Iara Morselli / Estadão

Drauzio Varella diz que Ministério da Saúde foi destruído e completamente paralisado

Médico participou do painel "O Futuro do SUS" no 'Brazil Forum UK 2020'

Tomás Conte, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 16h47
Atualizado 20 de junho de 2020 | 21h45

Em painel sobre "O Futuro do SUS", realizado no Brazil Forum UK, o médico Drauzio Varella disse que no Brasil "nós destruímos" e "paralisamos o Ministério da Saúde completamente". Para o médico, a melhor forma possível de lutar contra a pandemia do novo coronavírus é através "de um esforço nacional com uma organização centralizada", com uma "estratégia de combate". Entretanto, no Brasil, segundo Drauzio, não existiu orientação centralizada pelo Ministério da Saúde. O médico ressaltou que "a única arma que nós temos para reduzir o número de infecções é o isolamento".

Assista ao debate:

Além do médico Drauzio Varella, também participaram do painel a médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ligia Bahia e o líder comunitário e coordenador nacional do G10 das Favelas, Gilson Rodrigues. A moderação foi de Lia Pessoa, da London School of Economics.

"A saúde hoje é um direito no Brasil, é um direito de cidadania. Isso tem uma importância enorme para um país de renda média, para um país que é capitalista periférico, ou seja, o Brasil é o único país capitalista que não é rico, que não tem renda alta, que tem um sistema público e universal de saúde", comenta Ligia. Para a médica, "O SUS é como se fosse uma oitava maravilha do Brasil". Entretanto, Ligia pondera que "é verdade que o SUS é frágil".

De acordo com Drauzio Varella, o "SUS está pagando agora pelos desmandos que os nossos governantes fizeram com a saúde". O médico relembra os gastos para a construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil: "agora, vimos a transformação desses estádios em hospitais". Drauzio diz que o SUS é o "maior sistema de saúde pública do mundo", porém, ele alerta "que os brasileiros não têm consciência disso".

"Nós brasileiros tínhamos que ter orgulho do SUS e procurar defendê-lo, porque não só nós, como os nossos descendentes, muito provavelmente vão depender dele", destaca Drauzio.

Já Gilson Rodrigues destaca que o SUS "está em um momento frágil por falta de gestão". O coordenador nacional do G10 das Favelas falou sobre como os próprios moradores têm participado do combate ao coronavírus, como já havia destacado em entrevista ao Estado. Um exemplo das iniciativas criadas é a existência, a cada 50 casas em Paraisópolis, de um morador voluntário, o qual tem algumas tarefas, como ajudar as pessoas a ficarem em casa, distribuir doações e chamar o serviço de ambulância. Porém, segundo Gilson, o serviço de ambulâncias do SAMU não vai até Paraisópolis. Desta forma, houve uma campanha de financiamento coletivo para a disponibilização de 3 ambulâncias.

"Nós decidimos, na falta de uma política pública, criar a nossa própria política pública, utilizando-se da nossa experiência e do nosso processo de mobilização, onde nós buscamos identificar quais eram os problemas e onde houvesse um problema, achar uma solução. Nós percebemos que a melhor forma de fazer isso era organizados", destaca Gilson.

Em sua quinta edição, o Brazil Forum UK 2020 é organizado por estudantes brasileiros no Reino Unido. Neste ano, o tema é “What’s Next Brazil? Alternativas para múltiplos desafios”. O evento é gratuito e não necessita de inscrição. É possível acompanhar as discussões no portal Estadão, nas redes sociais Twitter (@estadao) e Facebook e no canal do Estadão no YouTube. A agenda completa do Brazil Forum UK 2020 pode ser vista no site do evento.

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