FELIPE RAU/ESTADAO
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Doria diz que prefeito de NY exagerou sobre Bolsonaro: 'não fez jus a um regime de liberdade'

'Não cabe a um prefeito de Nova York fazer avaliações sobre esta ou aquela tendência de um presidente da República', disse o governador de São Paulo

Beatriz Bulla, enviada especial, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 14h22

NOVA YORK - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou de “erro” e “exagero” as críticas do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, ao presidente Jair Bolsonaro. “Não cabe a um prefeito de Nova York fazer avaliações sobre esta ou aquela tendência de um presidente da República. Ele cometeu um erro, exagerou na sua condição política e não fez jus a um regime de liberdade do qual Nova York é seu maior símbolo, a partir da própria estátua da liberdade”, afirmou o governador nesta segunda-feira, 13. O tucano cumpre agenda oficial na cidade americana. 

Bolsonaro cancelou a viagem que faria nesta semana a NY após protestos contra a homenagem que receberia da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. De Blasio liderou o movimento, afirmando que o brasileiro é um ser humano “perigoso” por causa de “seu racismo e homofobia evidentes”. A premiação ainda foi alvo de boicote de ativistas ligados à causa ambiental e aos direitos LGBTQ. Primeiro, a Câmara teve dificuldade em achar um lugar que aceitasse sediar o jantar de gala. Depois, pelo menos três empresas decidiram deixar de patrocinar o evento.

Para Doria, o prefeito novaiorquino “exacerbou na sua condição ao condenar e fazer manifestações nas redes sociais e na imprensa”. O governador paulista disse que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que acontece anualmente em Nova York no mês de setembro, recebe “gente de todas as matizes de países do mundo”, em um sinal de que a cidade é “aberta” e símbolo de liberdade de expressão.

Doria ensaiou uma candidatura à presidência da República em 2018, mas Geraldo Alckmin ganhou a indicação do PSDB. Na corrida eleitoral, conforme Alckmin, seu padrinho político, perdia força, Doria flertou com um apoio a Jair Bolsonaro. Na votação do segundo turno, o então candidato ao governo usou camiseta com a expressão “BolsoDoria”, sugerindo a dobradinha. Desde o início do ano, contudo, Doria tem optado por momentos de descolamento do governo federal, apesar de declarar diálogo e interlocução com o Planalto. Nos bastidores, o tucano continua a indicar a ambição de concorrer à presidência em 2022.

Em Nova York, Doria participa de reuniões com investidores e eventos organizados pelo mercado financeiro. Participam de parte dos encontros também os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Os encontros são parte de uma agenda paralela sobre Brasil ao evento organizado anualmente pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Até o início do mês, antes de Bolsonaro cancelar a viagem a Nova York, organizadores dos eventos previam a participação do presidente nos encontros e de ministros do alto escalão, como Paulo Guedes (Economia).

Sem a ida a NY, o Itamaraty organizou, às pressas, uma viagem de Bolsonaro a Dallas, no Texas. O presidente chegará à cidade americana na quarta-feira para uma agenda de dois dias que inclui reunião com empresários e lideranças políticas.

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