Divulgação/Governo do Estado de SP
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Doria diz que ainda é cedo para falar em volta de Baldy ao governo

Em entrevista, governador elogiou secretário licenciado e lembrou que fatos pelos quais ele é investigados são anteriores a sua entrada na gestão paulista

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 08h57

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), elogiou a competência do secretário de Transportes licenciado, Alexandre Baldy, preso nessa quinta-feira, 6, em uma operação da Lava Jato do Rio. Para o tucano, "ainda é cedo" para falar na volta de Baldy ao cargo.

"Houve uma licença, que foi publicada hoje no Diário Oficial. É o mesmo procedimento que adotamos em casos semelhantes para que ele possa se defender e assim a gente possa avaliar", disse em entrevista à rádio Jovem Pan.

Questionado sobre o impacto da prisão do secretário na gestão estadual, o governador disse que a operação não causava incomodo, uma vez que os fatos investigados são anteriores à vinculação de Baldy com a Secretaria de Transportes de SP.

"Não há nenhum incomodo. Não tem nenhuma vinculação com o governo do Estado de São Paulo nem com a gestão do Alexandre Baldy na Secretaria de Transportes Metropolitanos. O que nós temos que estimar é que o Alexandre Baldy possa fazer os esclarecimentos necessários desse período que ele trabalhou no governo de Goiás", disse Doria, que na sequência elogiou o secretário.

"E vale lembrar que aqui no governo de São Paulo, o Alexandre Baldy agiu com competência, dedicação e postura idônea, exercendo sua função. Eu tenho certeza que ele saberá responder adequadamente sobre o tema."

Baldy é suspeito de receber ao menos R$ 1,4 milhão de propina entre 2014 e 2019 para beneficiar empresas da área da Saúde com contratos públicos, segundo documentos encaminhados ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, que assina o mandado de prisão temporária. Os advogados de Baldy negam as acusações. 

Investigações no PSDB

Durante a entrevista, o governador também foi questionado sobre as pretensões do PSDB para as eleições de 2022, uma vez que o partido tem alguns de seus principais nomes, como os ex-governadores de São Paulo Geraldo Alckmin e José Serra, investigados.

Doria respondeu que não se coloca como candidato, mas que, como integrante do partido, aprovava a postura da sigla em "não esconder ou colocar obstáculos as investigações". "No caso do PSDB, eu já me manifestei que toda investigação tem que continuar sem nenhum tipo de contestação. Quem não deve não teme", disse.

O governador saiu em defesa de Alckmin: "Sempre teve uma vida modesta, mora no mesmo apartamento há 35 anos, tem patrimônio muito modesto. Quem rouba não tem patrimônio modesto. Geraldo sempre foi um homem probo."

Críticas a Bolsonaro

Doria também fez críticas a família Bolsonaro durante a entrevista. No mesmo momento que respondeu sobre as investigações contra lideranças tucanas, o governador lembrou que o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, é alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro e do Ministério Público Federal.

"Aqui não escondemos investigações e nem procuramos estabelecer obstáculos a investigações. E lembro que há uma pessoa da família do presidente Bolsonaro, chama-se Flávio Bolsonaro, senador da República que frequenta diariamente o Palácio do Planalto, e que está sob investigação sim, do MPF e do MPRJ, com a chamada "rachadinha", e que coloca dificuldade constantemente para protelar a avaliação e o julgamento desse processo", disse Doria.

A meção a Flávio Bolsonaro ocorreu porque, na pergunta sobre o PSDB, um comentarista da rádio afirmou que o governo federal estava há quase dois anos sem casos de corrupção.

Antes, o governador já havia criticado o presidente da República, Jair Bolsonaro, pela condução da pandemia do novo coronavírus. Doria disse que faltou coordenação nacional para apoiar os governadores e ordenar um único comando. "Seria razoável que a liderança fosse do governo federal e não foi o que aconteceu", disse.

"É muito triste ter um presidente da República negativista, afirmando várias e várias vezes que é uma gripezinha e um resfriadozinho, ‘toma cloroquina que passa’ e promovendo aglomerações."

Doria disse também lamentar a atuação do presidente e manifestou o desejo de que o presidente mude. “Sinto que ele está tendo uma pequena melhora e não está mais repetindo que se trata de uma ‘gripezinha’ ou ‘resfriadozinho’”, concluiu.

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