Reprodução/Brazil Forum UK
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'Não acredito que estejam dadas as condições para Bolsonaro sofrer impeachment', diz Dilma

Ex-presidente participou de evento anual promovido pela comunidade brasileira de estudantes no Reino Unido com transmissão do Estadão

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 18h28

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou em participação no Brazil Forum UK 2020 que não vê um cenário possível a um impeachment do presidente Jair Bolsonaro neste momento. O evento promovido pela comunidade de estudantes de pós-graduação no Reino Unido foi transmitido pelo Estadão.

Para Dilma, a oposição ao presidente encontra "limites" que às vezes estão ligados à pauta neoliberal na economia. "Não acredito que estejam dadas as condições para Bolsonaro sofrer um impeachment e também acho que não tem condição de fazer um autogolpe", afirmou a petista. "Tem limites na oposição. Bolsonaro consegue colocar nas pautas as reformas neoliberais, chegam a não conseguir propor impeachment."

Dilma disse que, em sua leitura, a base do governo é formada por um grupo que tem visão autoritária, que seria um segmento neofascista, e ao mesmo tempo pelos que se aliaram ao presidente para adotar no Brasil uma política de formas neoliberais. "A ala neolibera achava que quando o presidente assumisse, ele poderia ser moderado, mas o neofascimento não tem o chip da moderação", afirmou. "Uma parte da direita brasileira rompeu com o neofascismo, mas sustenta o neoliberalismo de (Paulo) Guedes (ministro da Economia)."

A ex-presidente diz ver uma escalada autoritária no País relacionada às atitudes de Bolsonaro que coloca a polarização política em seu patamar mais alto. Dilma sofreu impeachment em 2016 durante período de marcada polarização desde a eleição de 2014.

"O governo (Bolsonaro) trabalha na base da polarização da sociedade. É o tratamento dos adversários políticos como inimigos. É a política de ódio e violência. A polarização está no seu auge. Há uma anomia do presidente, que nega a existência de uma crise, tenta atribui-la aos governadores, não tem uma liderança porque não é capaz de reoconhecer a crise."

Dilma também falou da relação de Bolsonaro com o Centrão. O presidente tem se aproximado com o grupo no Congresso. Para ela, o Centrão tem mais apreço pela democracia do que o presidente. "Para combater o PT, criminalizaram a política", afirmou a ex-presidente.

"Bolsonaro se elege falando da velha política, mas essa história de velha e nova política é fachada. O fascismo de Bolsonaro é mais antigo que a política do Centrão. O Centrão convive mais com democracia do que o neofascimo, que corrói a democracia."

Brazil Forum UK continua até o dia 10 de julho, todos com transmissão exclusiva no Estadão. O evento é gratuito e não necessita de inscrição. É possível acompanhar as discussões no portal estadao.com.br, nas redes sociais Twitter (@estadao) e Facebook e no canal do Estadão no YouTube. Assista abaixo.

 

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