CPMI da JBS aprova convocação de ex-chefe de gabinete de Janot

Eduardo Pelella foi citado em conversa de executivos da J&F sobre tratativas de acordo de delação

Renan Truffi e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2017 | 11h53

BRASÍLIA - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS aprovou o requerimento para a convocação do procurador regional da República Eduardo Pelella, da Procuradoria Regional da República da Terceira Região, para depor no colegiado na condição de testemunha. Pelella, ex-chefe de gabinete e braço direito do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, foi citado em conversa entre o empresário Joesley Batista e o ex-diretor do grupo J&F Ricardo Saud. Também estão no requerimento as convocações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, do juiz da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, e o procurador da República do Ministério Público Federal do Paraná, Deltan Dallagnol.

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Com a aprovação, o procurador ficará obrigado a se apresentar à comissão para depor. Pelella já havia sido convidado a colaborar com a CPMI. Mas, como se tratava apenas de um convite, ele poderia declinar do chamamento. Essa foi a opção do procurador, que enviou documento à CPMI recusando a solicitação.

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Diante da negativa, o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), decidiu apresentar o novo requerimento, que transforma o convite em convocação - aprovado sem oposição.

Uma conversa entre Joesley e Saud, o dono da J&F sugere que Janot sabia sobre a delação premiada do grupo. A suposta data da gravação é 17 de março, quando oficialmente as tratativas da PGR com a J&F não tinham iniciado – o que teria ocorrido no dia 27 de março. 

Em um dos trechos do diálogo, Saud insisti em saber se Janot sabia por meio de “Marcelo”, ex-procurador da República Marcelo Miller, suspeito de ter atuado de forma irregular em favor da empresa. Joesley diz: “Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça, o Marcelo é do MPF, ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo Janot, é Janot, Pellela… tudo a mesma coisa.”

Os parlamentares convocaram também o empresário Victor Garcia Sandri, do Grupo Empresarial Cimentos Penha. Sandri é próximo ao ex-ministro Guido Mantega e teria apresentado ele a Joesley Batista, dono do grupo J&F.

Joesley afirmou, em acordo de colaboração premiada, em maio, que pagava suborno a Guido Mantega, por meio de Victor Sandri, para conseguir aportes do BNDES ao grupo J&F.

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