Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

CPI da Covid: saiba quem é Luiz Dominghetti Pereira, que depõe hoje após relatar pedido de propina

O cabo da Polícia Militar de Minas Gerais é o responsável por deflagrar a mais recente crise envolvendo o governo Jair Bolsonaro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 09h54

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid recebe nesta quinta-feira, 1º, o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti Pereira, que diz ter recebido pedido de propina para fechar contrato de venda da vacina da AstraZeneca para o governo federal. 

De acordo com a corporação, o militar trabalha no município de Alfenas, no Sul do Estado. Dominghetti é o responsável por deflagrar a mais recente crise envolvendo o governo Jair Bolsonaro

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o militar mineiro disse ter aberto negociação com o governo em nome da empresa Davati Medical Supply para vender 400 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde.  O Grupo Davati é uma holding fundada pelo empresário Herman Cardenas, com sede no Texas, Estados Unidos, que possui vários negócios no estado.

De acordo com ele, o então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1 por dose para que a negociação avançasse, o que acabou não ocorrendo. 

Como mostrou o Estadão, de acordo com o responsável pela Davati Medical Supply nos Estados Unidos, Herman Cárdenas, o nome de Dominghetti foi incluído em comunicações com o governo brasileiro sobre oferta de vacinas da AstraZeneca apresentada pela companhia. O nome de Dominghetti foi incluído “a pedido”, de acordo com Cárdenas, sem explicar quem teria feito a solicitação

Cárdenas afirmou, por e-mail, que Dominghetti “não é representante ou funcionário” da companhia e que “em nenhum momento” chegou à empresa solicitação para aumentar o preço da vacina. “Incluímos o nome do Sr. Dominghetti no FCO (oferta) que apresentamos ao governo brasileiro porque nos pediram e presumimos que ele fosse representante deles”, afirmou Cárdenas, por e-mail. A própria AstraZeneca nega que a Davati Medical Supply seja sua representante no País. Em março, o Estadão já havia relatado a tentativa de diferentes empresas, incluindo a Davati, de vender a vacinas a diversas prefeituras.

Em nota, a Davati Medical Supply afirma que Dominghetti "não possui vínculo empregatício" com a emresa, "atuando como vendedor autônomo". "Nesse caso, ele apenas intermediou a negociação da empresa com o governo, apresentando o senhor Roberto Dias. Sobre a denúncia relatada por Dominguetti, de que o Ministério da Saúde teria solicitado uma 'comissão' para a aquisição das vacinas, a Davati afirma que não tem conhecimento".

Nas redes sociais, Dominghetti costuma publicar vídeos de comida e mostra uma relação próxima aos filhos. Entre as publicações compartilhadas pelo militar, há vídeos em apoio ao ex-juiz Sérgio Moro e críticas ao PT.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.