Alex Silva / Estadão
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Covas decide pedir licença da Prefeitura de São Paulo por 30 dias; Ricardo Nunes assume

'Ele precisa se dedicar ao tratamento, que pode levar a reações adversas, como náuseas e vômitos. É um tratamento pesado', diz o médico David Uip

Matheus Lara e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2021 | 17h34
Atualizado 03 de maio de 2021 | 11h37

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decidiu se licenciar do cargo por 30 dias para dar continuidade ao tratamento contra um câncer no sistema digestivo que agora atinge também os ossos. Em seu lugar, o vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB) assumirá o comando da cidade.

Segundo os médicos, a decisão pelo afastamento se deu por causa de reações adversas que o prefeito pode enfrentar, como náuseas e vômitos. “Ele (Covas) precisa se dedicar ao tratamento, que pode levar a reações adversas, como náuseas e vômitos. É um tratamento pesado. Por isso achamos melhor que ele se afaste”, afirmou ao Estadão o médico David Uip, que acompanha o tratamento.

Para dar sequência à quimioterapia e à imunoterapia, Covas voltou a ser internado neste domingo, 2,  – o procedimento já estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira, 3. “Diante dos novos focos da doença, meu corpo está exigindo que eu dedique mais tempo ao tratamento, que entra em uma fase muito rigorosa”, afirmou Covas em suas redes sociais.

O médico Tulio Pfiffer, que também integra a equipe médica que acompanha Covas, disse ao Estadão que esteve nesta manhã na casa do prefeito. De acordo com ele, ambos conversaram sobre o pedido de licença. “Ele (Covas) mesmo preferiu tirar uma licença de 30 dias para se dedicar ao tratamento. Mencionou que não estava com a produtividade esperada nem a que a cidade merecia.”

Em nota, a Prefeitura informou que Covas “adotou total transparência em respeito à população” desde que recebeu o diagnóstico da enfermidade”, em outubro de 2019. “Com o surgimento de novos focos, o prefeito de São Paulo precisará de dedicação integral ao tratamento e entende que não será compatível com as suas responsabilidades e compromisso com a cidade e os paulistanos.”

O ofício com o pedido de afastamento de Covas será enviado hoje. O presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (DEM), disse que, assim que for notificado, dará seguimento ao pedido de licença médica e comunicará o vice-prefeito, que passará a responder pelo comando da cidade. Segundo Leite, o processo é meramente formal e não há necessidade de qualquer tipo de aprovação pela Casa.

Covas teve alta médica na terça-feira da semana passada após passar 12 dias no hospital. Ele vem sendo atendido com um protocolo que inclui tanto quimioterapia quanto imunoterapia, e o prognóstico é de que siga ambos os procedimentos com aplicações dos medicamentos em sessões 48 horas de duração, a cada duas semanas.

O prefeito vinha despachando do quarto onde esteve internado. O quadro de alta da semana passada estava previsto para dias antes. Porém, durante os exames de rotina, os médicos haviam identificado um acúmulo de líquidos no abdômen e ao redor de seus pulmões, decorrente de uma inflamação causada pelos tumores que atingem seu fígado – além de cinco pontos da doença no órgão, ele também tem um tumor nos ossos da bacia e outro nos da coluna vertebral.

Exames

O prefeito descobriu que tinha câncer em 2019, quando exames que vinham sendo realizados para investigar o surgimento de uma trombose apontaram a existência de três tumores – um no fígado, um na cárdia (a transição entre o estômago e o esôfago) e outro nos gânglios linfáticos. Os médicos atacaram a doença com imunoterapia e quimioterapia, e dois dos três tumores chegaram a desaparecer. O do fígado havia diminuído, mas ainda persiste.

Em fevereiro deste ano, os médicos identificaram um novo tumor no fígado, e ele retornou à quimioterapia. Entretanto, ao longo desta nova etapa do tratamento, a doença se mostrou mais agressiva, se espalhando para mais pontos do fígado e de seus ossos.

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