Photo by Jack GUEZ / AFP
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Com promessa de alinhamento, primeiro-ministro de Israel virá à posse de Bolsonaro

O governo de Bolsonaro terá uma política mais próxima a Israel e o presidente eleito já prometeu, inclusive, mudar a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2018 | 18h45

BRASÍLIA - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou na manhã desta quinta-feira, 29, que virá ao Brasil para a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, segundo informam fontes diplomáticas. É a primeira presença de peso a confirmar presença na cerimônia.

A relação com Israel é um forte símbolo da mudança na política externa pretendida pelo novo governo. Há décadas, o Brasil mantém uma posição de equilíbrio no conflito entre aquele país e a Palestina. Ela se reflete em diversos compromissos aprovados pela Organização das Nações Unidas (ONU) com apoio brasileiro.

No entanto, o governo de Jair Bolsonaro promete abandonar essa posição e alinhar-se a Israel. A importância desse fato será reconhecida com a vinda do dirigente máximo do país ao Brasil.

Uma demonstração concreta desse novo alinhamento será a mudança da embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém, prometida durante a campanha eleitoral e reafirmada nos últimos dias pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do futuro presidente, em contatos que manteve nos Estados Unidos. Com a mudança, o Brasil estará admitindo a cidade como capital de Israel, passando por cima da posição reivindicada pela Palestina e o reconhecimento dos dois Estados deliberado pela ONU.

Nos bastidores, Bolsonaro tem sido alertado por seus interlocutores, principalmente os da área militar, que a mudança da embaixada poderá levantar reações do lado palestino e elevar o risco à segurança no Brasil. Ele também foi avisado sobre os potenciais prejuízos econômicos da medida. Os países árabes, que apoiam a Palestina, são um mercado que importa US$ 13 bilhões ao ano do Brasil. As exportações são principalmente de açúcar e proteína animal.

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro comentou que a reação dos países muçulmanos poderiam ser contornadas de outra maneira. Por exemplo, com a adoção de posições mais duras contra o Irã, inimigo do grupo.

“Não creio que medidas no campo político poderiam servir de compensação”, disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun. “A preocupação no campo comercial continuaria.” Ele, que acabou de retornar de uma série de contatos nos países árabes, se relatou que a repercussão das promessas de Bolsonaro e seu entorno é grande. “Há sinais mais fortes de reflexo na relação comercial”, afirmou.

Eduardo afirmou também que a reação do Egito, que cancelou de última hora uma visita do chanceler Aloysio Nunes, não prejudicou os contatos empresariais. Mas, segundo Hannun, todos os eventos empresariais que estavam atrelados à visita, como uma reunião do Conselho Empresarial Brasil-Egito e um encontro de câmaras de comércio dos dois países foram cancelados.

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