Beatriz Bulla/ESTADAO
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'A questão não é se, é quando', diz Eduardo Bolsonaro sobre mudar embaixada para Jerusalém

Deputado federal se encontrou com Jared Kushner, conselheiro da Casa Branca, nos Estados Unidos; declaração do presidente sobre a mudança fez com que o Egito cancelasse viagem de delegação brasileira para o país

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 18h43

WASHINGTON - Com um boné bordado “Trump 2020”, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, disse hoje em Washington que o governo brasileiro vai mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. A jornalistas, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo estuda “como fazer” e quando. Questionado se a decisão é uma medida já definida pelo futuro governo, afirmou: “Acredito que sim. A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será”, afirmou.

O assunto foi tema da conversa de Eduardo Bolsonaro com Jared Kushner, conselheiro sênior da Casa Branca e genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Eduardo Bolsonaro disse que Kushner está “bem engajado nas questões do Oriente Médio” e que na conversa falaram sobre a intenção do Brasil de alterar a embaixada em Israel.  

Há cerca de um mês, Jair Bolsonaro afirmou que a mudança da embaixada em Tel Aviv para Jerusalém ainda não estava decidida. A declaração do presidente eleito aconteceu depois do cancelamento de uma agenda diplomática com o Brasil pelo Egito, numa possível primeira reação do mundo árabe às manifestações pró-Israel.

Ao ser questionado sobre as cobranças do agronegócio, que teme perder espaço na exportação para países árabes, o deputado afirmou que “todo mundo conhece Jair Bolsonaro” e “ele falou bastante isso na campanha” – sobre a mudança da embaixada.  “Se isso pode interferir alguma coisa no comércio, temos que ter alguma maneira de tentar suprir caso venha a ocorrer esse tipo de retaliação. E eu acredito que a política no Oriente Médio já mudou bastante também. A maioria ali é sunita. E eles veem com grande perigo o Irã. Quem sabe apoiando políticas para frear o Irã, que quer dominar aquela região, a gente não consiga um apoio desses países árabes”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

Ele disse ainda não ver “crise nenhuma” no episódio com o Egito. “Quem não foi para o Egito foi só o chanceler Aloysio Nunes. Todo o corpo empresarial que estava previsto para ir para o Egito foi, inclusive a pedido das autoridades egípcias”, disse.

Além de se encontrar com Jared Kushner, Eduardo Bolsonaro teve nesta terça um almoço com empresários organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. No encontro, fechado à imprensa, o filho do presidente eleito fez diversas menções ao futuro ministro da economia, Paulo Guedes, e disse que as áreas de prioridade serão Reforma da Previdência e Segurança.

Ao deixar o evento, Eduardo Bolsonaro carregava nas mãos um boné de “campanha” para o presidente Trump na futura eleição dos EUA, de 2020, com a inscrição do bordão do americano: “Make America Great Again”.

“Ganhei aqui. Bonito? Ganhei dos apoiadores que estão aqui”, disse o deputado, colocando o boné para fotos. 

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