Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Com apoio do Planalto, Lira oficializa candidatura e busca siglas da oposição

Deputado tentou imprimir perfil conciliador e prometeu ‘ouvir’ todos os parlamentares para ocupar a cadeira de Rodrigo Maia a partir de fevereiro

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 17h10
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 23h24

BRASÍLIA – Com apoio do Palácio do Planalto, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) oficializou nesta quarta-feira, 9, sua candidatura à presidência da Câmara. Líder do Centrão, Lira estava acompanhado de representantes de oito partidos, que somam 160 deputados. O parlamentar é o principal rival do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de concorrer à reeleição, mas lançará nos próximos dias um nome para sua sucessão – Maia criticou ação do Planalto e disse que Bolsonaro ‘joga pesado’ para eleger Lira.

No primeiro discurso como candidato à cadeira de Maia, Lira tentou imprimir perfil conciliador e prometeu “ouvir” todos os deputados. “Vamos tocar os próximos dois anos de uma maneira diferente de como a Casa vem sendo administrada”, disse o líder do Progressistas. “Não que venha sendo mal administrada, mas cada presidente tem a sua marca”.

O deputado Marcelo Ramos (PL-AM) foi indicado como 1º vice-presidente da Câmara na chapa de Lira. Até o mês passado, Ramos era um dos possíveis pré-candidatos à sucessão de Maia, mas desistiu. “Entre manter uma candidatura à presidência da Câmara apenas para marcar posição e viabilizar, de fato, uma posição de destaque na Mesa Diretora, fico com a opção de seguir meu partido e entrar na disputa pela 1º vice-presidência, por entender que esta decisão fortalece a voz do Amazonas e o meu partido”, disse Ramos, em nota.

Lira é acusado de liderar um esquema de “rachadinha” de 2001 a 2007, quando era deputado estadual em Alagoas, como revelou o Estadão. A prática consiste no desvio de salários de funcionários do gabinete. O juiz Carlos Henrique Pita Duarte, da 3.ª Vara Criminal de Maceió, invalidou as provas e, na última quinta-feira, absolveu Lira sem analisar o mérito das acusações de peculato e lavagem de dinheiro. O Ministério Público vai recorrer da decisão. Lira também é réu, investigado por corrupção passiva, acusado de receber propina de R$ 106 mil.

Ao lançar a candidatura pelo Progressistas, o deputado anunciou o apoio do PL, PSD, Solidariedade, Avante, PSC, PTB, PROS e Patriota. A cúpula do PTB não estava presente ao lançamento, mas deve aderir ao grupo, segundo o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI). 

No bloco de Lira há ainda a perspectiva da adesão do Republicanos, partido presidido por Marcos Pereira. O deputado, que é atualmente vice-presidente da Câmara, está insatisfeito com a predileção de Maia por outros pré-candidatos, como os deputados Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB).

Ribeiro é do mesmo partido de Lira, mas pode ser lançado como candidato avulso. Tanto Lira quanto Maia disputam, ainda, os votos dos partidos de oposição, que estão divididos.

Na tentativa de impulsionar a candidatura de Lira, o Planalto tem prometido cargos a partidos do Centrão e condicionado a liberação de emendas parlamentares ao apoio ao deputado.

Em reunião virtual nesta quarta-feira, integrantes da bancada do PSB defenderam a adesão à campanha de Lira. O PSB conta com 31 deputados e ainda não definiu uma posição oficial. Apesar das declarações de simpatia de nomes como João Campos, prefeito eleito do Recife, Lira não é consenso e enfrenta resistência, inclusive do líder do partido, Alessandro Molon (PSB-RJ).

“Ficou decidido (na reunião desta quarta-feira) que se prepararia um documento para ser apresentado aos candidatos à presidência e que os mesmos seriam ouvidos pela bancada. Por conseguinte, não houve qualquer deliberação sobre qual candidato será apoiado para presidir a Câmara dos Deputados no biênio 2021-2022”, disse Molon, em nota. O PSB deverá divulgar uma carta de compromissos, nos próximos dias, pedindo aos candidatos diálogo institucional e uma agenda de retomada da economia.

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