Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Cloroquina e distanciamento se destacam nas redes sociais após demissão de Teich

Embate entre o ex-ministro da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro sobre uso do medicamento em pacientes leves de covid-19 foi visto entre usuários como principal motivo para saída do oncologista do cargo

Pedro Prata, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 16h36

A cloroquina e o isolamento social figuram como protagonistas nos comentários de redes sociais sobre a demissão de Nelson Teich do cargo de ministro da Saúde na manhã desta sexta-feira, 15. O embate entre o ex-ministro da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro sobre o uso do medicamento em pacientes leves de covid-19 e o afrouxamento da política de distanciamento foram visto entre internautas como o principal motivo para saída do oncologista do comando da pasta. Há expectativa para saber quem assumirá o cargo.

No Twitter, o nome de Teich era o assunto mais comentado na tarde desta sexta-feira (542 mil comentários). Postagens com críticas faziam referência à demissão do ministro em meio à pandemia. Por outro lado, comentários favoráveis à demissão relacionaram a saíde de Teich com a resistência do agora ex-ministro em criar um protocolo para tratamento de pacientes leves de covid-19 com a cloroquina. O medicamento ficou em evidência no Twitter (211 mil comentários) nesta sexta, assim como comparações entre a demissão de Teich e do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (62,7 mil comentários).

 

O nome do ex-ministro Osmar Terra também foi lembrado em 43,2 mil tuítes, assim como o da médica Nise Yamaguchi (12,8 mil tuítes). A maioria dos comentários especulam quem será o sucessor de Teich. Quem assumiu interinamente até a escolha definitiva de Bolsonaro foi o general Pazuello, então secretário executivo do Ministério da Saúde.

As postagens em grupos bolsonaristas no Facebook consideravam a demissão necessária tendo em vista a discordância do ministro com a posição de Jair Bolsonaro de aplicar cloroquina no tratamento de pacientes leves. Já publicações críticas à exoneração de Teich defenderam o agora ex-ministro de se opor aos desejos do presidente de afrouxar a política de isolamento social e de se recusar a criar o protocolo de tratamento com cloroquina. A página “Quebrando o Tabu” obteve 14 mil compartilhamentos em uma postagem que criticou Bolsonaro.

Publicações de João Amoêdo com críticas a Bolsonaro e Bia Kicis (PSL/DF) informando a exoneração também se destacaram, com respectivamente 2,3 mil e 2,1 mil compartilhamentos.

Mensagens destacando a cloroquina como motivo para a demissão de Teich foram o principal assunto abordado em postagens no Instagram. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) recebeu 8,1 mil curtidas ao dizer que “o ministro se nega a recomendar a cloroquina de forma irrestrita e defende o isolamento social”.

Já o também parlamentar Marcelo Freixo (PSOL-RJ) falou que Bolsonaro vai aumentar o “ataque” ao isolamento social e recebeu 13,8 mil curtidas. A historiadora Lilia Schwarcz se destacou com 18,4 mil curtidas em um post no qual critica o presidente Jair Bolsonaro pelos mais de 14 mil mortos pelo novo coronavírus.

Por sua vez, Janaína Paschoal, com 12,7 mil curtidas, prestou solidariedade ao ex-ministro Teich e desejou: “Que Deus nos ajude e alguém bom ainda queira assumir esse ministério.”

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