Edson Santos/Divulgação
Edson Santos/Divulgação

Citado na Lava Jato, deputado do PP diz que vai processar Youssef

Mencionado pelo doleiro como beneficiário de propina na Petrobrás, Carlos Heinze (PP-RS) nega envolvimento com esquema

Gabriela Lara, correspondente , O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 14h54


Porto Alegre - O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS) afirmou que pretende processar o doleiro Alberto Youssef por tê-lo citado em delação premiada como um dos beneficiários no esquema de corrupção da Petrobrás. Heinze está entre os seis políticos do diretório gaúcho do PP que tiveram pedido de investigação autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira.

No total, dos 49 nomes que compõem a lista - o caso do ex-ministro Antonio Palloci ficará com a Justiça do Paraná -, 30 são integrantes do PP. Em post publicado nesta terça-feira em sua página oficial no Facebook, Heinze diz que, como é inocente, ainda não acionou um advogado, mas que já tomou algumas decisões, como a de processar Youssef. "Ele terá que provar que algum dia me entregou um centavo sequer", revelou.

O texto não esclarece quando nem de que forma o parlamentar gaúcho pretende acionar judicialmente o doleiro. Na postagem, Heinze lembra que, na denúncia feita por Youssef em delação premiada, o doleiro afirma que repassava entre R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão aos líderes do PP, que, por sua vez, dividiam o dinheiro com uma lista de deputados - de acordo com o depoimento, Heinze estaria entre os parlamentares beneficiados.

"Quem pegou dinheiro em meu nome também será processado, pois eu nunca recebi nada dessa gente. Defendo e quero a punição dos envolvidos, mas não posso concordar que joguem inocentes na mesma vala para dividir o peso da culpa", escreveu na rede social. Heinze ainda informa que vai "se antecipar" e procurar o STF, a Polícia Federal e Ministério Público para autorizar a quebra dos seus sigilos bancários e telefônicos. "Não devo nada, não tenho nada a temer e vou provar minha inocência", explica.

Nessa segunda, 9, o deputado gaúcho também recorreu ao Facebook para comentar a notícia de que seria investigado. "Não tenho dúvidas de que meu nome foi incluído nessa falsa lista por contrariar os interesses do comando nacional do partido e do governo", escreveu. O PP do Rio Grande do Sul está historicamente alinhado com os movimentos de direita e não apoia a aliança do partido em nível nacional com o governo da presidente Dilma Rousseff. Membro da bancada ruralista, Heinze concorreu à reeleição em 2014 e foi o deputado mais votado do RS.

Outro parlamentar do PP no Estado, Jerônimo Goergen, também citado pelo doleiro e alvo da investigação, já havia anunciado que vai interpelar judicialmente Youssef. Goergen também insinuou que sua inclusão na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderia ter "motivação política", já que seu nome foi sido citado uma única vez na delação premiada, em fevereiro de 2015, justamente num momento em que fazia "alto enfrentamento" tanto à cúpula nacional do PP como ao governo federal.

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