DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO - 2/8/2021
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Ciro fala em conspiração de Lula por impeachment de Dilma, que o acusa de mentir

Pedetista disse ao podcast ‘Estadão Notícias’ que sua relação com o lulopetismo ‘está encerrada’ e apontou envolvimento de Lula com articuladores do impeachment de 2016

Bruno Luiz, Vinicius Alves e Davi Medeiros  , O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2021 | 15h46
Atualizado 13 de outubro de 2021 | 19h45

O ex-ministro e pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou que “está seguro” de que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “conspirou”, em 2016, pelo impeachment de Dilma Rousseff. A declaração, dada nesta quinta-feira, 13, em entrevista ao podcast Estadão Notícias, gerou uma troca de ataques entre o pedetista e a petista. Crítico recorrente de Lula e alvo do PT desde que recusou dar apoio explícito a Fernando Haddad no segundo turno da eleição presidencial em 2018, Ciro disse sua relação com o “lulopetismo está encerrada”.

Na entrevista, o pedetista foi questionado sobre o fato de Lula buscar atualmente aproximação com políticos de centro para formar uma ampla aliança de apoios em 2022. “Eu atuei contra o impeachment e quem fez o golpe foi o Senado Federal. Quem presidiu o Senado? Renan Calheiros (do MDB). Quem liderou o MDB nessa investida? O (ex-senador) Eunício Oliveira. Com quem o Lula está hoje?”, disse Ciro. “Hoje eu estou seguro que o Lula conspirou pelo impeachment da Dilma, estou seguro.”

A ex-presidente reagiu de forma dura. Disse que o ex-ministro “mente de maneira descarada” e que sua declaração seria parte de uma estratégia para driblar a sua falta de voto nas urnas. “Ciro Gomes está tentando de todas as formas reagir à sua baixa aprovação popular. Mais uma vez, mente de maneira descarada, mergulhando no fundo do poço”, escreveu Dilma no Twitter. “O problema, para ele, é que usa este método há muito tempo e continua há quase uma década com apenas um dígito nas pesquisas.” 

Em reposta, Ciro chamou a ex-presidente de “incompetente”. “Na vida, nunca menti. Mas errei algumas vezes. Uma delas quando lutei contra o impeachment de uma das pessoas mais incompetentes, inapetentes e presunçosas que já passaram pela Presidência. Claro que estou falando de você, Dilma.” A petista ainda rebateu Ciro e disse que sua visão é “misógina”.

Na entrevista ao Estadão Notícias, Ciro declarou que chegou a escrever, a pedido de Dilma, um documento com cerca de 15 páginas, e o entregou a um “camarada” da petista, que, por sua vez, “jogou fora e não aplicou nada”. Ciro afirmou que não entendia as movimentações do partido durante as negociações para barrar o impeachment e lembrou que seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE), questionou se, de fato, aqueles que se diziam aliados de Dilma queriam impedir sua deposição.

“O meu irmão, que também estava lutando (contra o impeachment), me chamou e falou assim: ‘Será que esses caras querem impedir o impeachment?’. Agora estou seguro que eles estavam colaborando pelo impeachment da Dilma, porque nas eleições de 2018 o Lula estava com o Renan Calheiros e queria que eu me envolvesse nisso, eu que fui para as ruas, e era muito impopular defender a Dilma. Agora os amigos do peito são eles? Nunca mais”, disse o pedetista.

Em uma tentativa de atrair o eleitorado antipetista, Ciro tem feito duras críticas ao PT e à candidatura de Lula para as eleições presidenciais de 2022. Na última manifestação contrária ao governo Jair Bolsonaro, em 2 de outubro, o pedetista foi xingado e vaiado por grupos associados ao PT. Ao Estadão Notícias, Ciro disse que havia usado o termo “trégua de Natal” com o PT apenas para temas relativos ao impeachment de Bolsonaro.

“Se a gente não fizer o Bolsonaro ficar na defensiva e ser punido pelos crimes trágicos que tem cometido contra a população brasileira, o Bolsonaro vai tentar de novo e, desta vez, pode ser a última e desesperada tentativa, que pode produzir o que ele imaginou que poderia ter produzido no 7 de Setembro”, disse.

Na mais recente pesquisa Ipec de intenção de voto, Lula se manteve à frente. No cenário com dez nomes, o petista aparece com 45%, 23 pontos porcentuais acima de Bolsonaro, o preferido de 22%. Ciro soma 6%, em terceiro lugar. O levantamento foi feito em entre os dias 16 e 20 de setembro – e a margem de erro máxima estimada é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Em abril, Ciro contratou o marqueteiro João Santana, que coordenou as campanhas de Lula (2006) e de Dilma (em 2010 e 2014). A estratégia do pedetista tem como objetivo a busca pelo eleitor “nem nem”: os antibolsonaristas e os antipetistas. Por isso, a narrativa faz concessões à direita e até aos eleitores bolsonaristas.

Em uma tentativa de aproximação com o eleitorado evangélico, Ciro postou um vídeo em suas redes sociais no qual exalta os valores cristãos enquanto segura a Bíblia em uma mão e a Constituição na outra. Na busca por alianças, o ex-ministro jantou com o apresentador José Luiz Datena, apontado como pré-candidato ao Planalto. Datena se filiou ao PSL, mas estaria se sentindo “desconfortável” na sigla após a fusão PSL-DEM.

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