Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Centrão abandona convocação de Weintraub e deixa oposição desgastar governo

Nem mesmo toda a bancada do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, ficou até o fim da sessão

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 23h14

BRASÍLIA -  Após articular a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, com 307 votos, o Centrão deixou para os opositores o papel de desgastar o governo no plenário da Câmara. No fundo do plenário, líderes do bloco, como Arthur Lira (PP-AL) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), cochichavam sem prestar atenção nas explicações do ministro.

A poucos passos dali, no cafezinho, um grupo de deputados assistia à TV e mostrava surpresa com as imagens das manifestações de rua, em vários pontos do País, contra os cortes na Educação. Nos bastidores, comparações com os atos que ajudaram a derrubar a então presidente Dilma Rousseff, em 2016, eram inevitáveis. 

Sem o Centrão engajado em fustigar o ministro, nem mesmo toda a bancada do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, ficou até o fim da sessão, embora o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (GO), tenha tentado servir de “escudo humano” para Weintraub. A tensão ocorreu quando o ministro provocou a ira dos deputados ao perguntar se sabiam o que era uma carteira de trabalho

As discussões mais estridentes, porém, começaram a partir de 20 horas, quando o deputado André Janones (Avante-MG), aos berros, chamou Weintraub de “debochado” e “covarde”. O microfone de Janones foi cortado e ele gritou ainda mais. “Não sou moleque.” 

Perto das 20h30, nova confusão, desta vez entre Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Glauber Braga (PSOL-RJ), de um lado, e Carla Zambelli (PSL-SP) e Eder Mauro (PSD-PA), de outro. Com a Bíblia na mão, o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) andava de um lado para o outro e pedia calma. Segurava um cartaz com os dizeres “Balbúrdia é armar a população e cortar da educação”.

Mesmo com três ministérios (Casa Civil, Saúde e Agricultura), o DEM não poupou Weintraub. Apesar de dizer que estava à disposição para apoiar projetos com impactos positivos na educação, o líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (BA), afirmou que a sigla não daria aval a “pautas ideológicas” da equipe de Bolsonaro.

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