Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro volta a justificar ausência na Bahia e diz que haveria gasto do cartão corporativo

De folga em Santa Catarina, presidente foi ao parque Beto Carreiro e a uma loja Havan

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2021 | 19h46
Atualizado 30 de dezembro de 2021 | 22h16

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a tentar justificar sua ausência na Bahia, onde fortes chuvas já deixaram mais de 20 mortos, e disse que haveria gasto do cartão corporativo caso ele fosse sobrevoar as regiões atingidas pelas enchentes. “Se eu vou, criticam. Se eu não vou, criticam”, declarou o chefe do Palácio do Planalto, em transmissão ao vivo nas redes sociais. Ele acrescentou que tem "interagido” com o governo do Estado desde que os temporais começaram. 

O presidente também voltou a comentar o motivo de ter recusado a ajuda humanitária oferecida pela Argentina às vítimas das chuvas nas cidades baianas. “Que ajuda é essa? Dez homens”, afirmou Bolsonaro. O governo de Alberto Fernández ofereceu enviar ao Brasil dez  "capacetes brancos”, que atuam em operações de socorro. Segundo o presidente, o País tem gente suficiente para auxiliar na emergência causada pelas chuvas.

Bolsonaro disse que aceitou a ajuda oferecida pelo Japão à Bahia, apesar de negar o apoio da Argentina, porque o governo japonês enviou materiais como são barracas de acampamento, colchonetes, cobertores, lonas plásticas, galões plásticos e purificadores de água. 

“Se Argentina tiver outra coisa para oferecer, eu agradeço ao Alberto Fernández”, disse Bolsonaro. O presidente sugeriu que os países da América do Sul recebam, por exemplo, venezuelanos que estão no Brasil. 

Bolsonaro está desde segunda-feira, 27, em São Francisco do Sul (SC), onde deve passar o réveillon. Criticado pela recusa em interromper as férias em meio à emergência causada pelas fortes chuvas na Bahia, o presidente tem reunido apoiadores na praia enquanto anda de jet ski. Hoje, Bolsonaro foi ao parque de diversões Beto Carrero World, na Penha.

Depois, o presidente visitou uma unidade da rede de lojas de departamento Havan, em São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Bolsonaro aparece na Havan recebendo um “kit praia” de funcionários da loja, que cantaram uma espécie de “grito de guerra” da rede. O presidente ganhou um cooler, uma bola de futebol, uma bandeira do Brasil e uma toalha de praia. Todos os objetos tinham estampa verde e amarela. Clientes da loja acompanharam a confraternização e tiraram fotos.

Dono da Havan, o empresário Luciano Hang é apoiador de Bolsonaro. Ao depor em setembro na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investigou omissões do governo na pandemia, ele reforçou postura negacionista, defendeu remédios sem eficácia contra a doença e disse que não havia se vacinado contra o coronavírus porque supostamente teria imunidade natural.

Neste mês, Bolsonaro disse que “ripou” funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) após uma obra de Hang ser paralisada em 2019 devido à descoberta de um artefato. Naquele ano, o Iphan emitiu nota informando que não determinou a paralisação, ao contrário do que afirma o empresário. Segundo o órgão, o pedido partiu do arqueólogo contratado pela própria empresa para supervisionar os trabalhos no canteiro de obras. A loja em questão foi construída em Rio Grande (RS).

Bolsonaro sugere 'panelaço'

Em tom irônico, Bolsonaro sugeriu que a esquerda promova um “mega panelaço” durante seu pronunciamento de Ano Novo. Bolsonaro fará um discurso de fim de ano nesta sexta-feira, 31, em rede nacional de rádio e TV, a partir das 20h30.

“Eu gravei e amanhã, dia 31, tem uma mensagem minha de fim de ano. Eu convido as pessoas de bem a assistir e convido a esquerda do Brasil a fazer um mega panelaço, para comemorar ou para protestar pelos três anos sem corrupção em nosso governo”, disse Bolsonaro.

Ao desejar “Feliz 2022” na live, o presidente afirmou que 2022, ano em que ele disputará a reeleição, será “decisivo”. Destacou, ainda, que a liberdade dos cidadãos estará em jogo. 

Na última live do ano, Bolsonaro fez críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto para a disputa ao Palácio do Planalto. O chefe do Executivo disse que a esquerda protesta contra seu governo porque o País está há três anos “sem corrupção”. A declaração é repetida com frequência e ignora, por exemplo, suspeitas de irregularidades na compra de vacinas contra a covid-19 pelo Ministério da Saúde.

Ao responder a pergunta feita por uma apoiadora, Bolsonaro também criticou o combate às fake news, que ele chamou de censura. “Nós já viemos sofrendo isso aí. Só para o nosso lado que tem a penalização”, reclamou.

O presidente voltou a dizer que muita gente desconfia do sistema eleitoral brasileiro. Observou, porém, que o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), convidou as Forças Armadas para participar do processo eleitoral. “O nosso pessoal já fez o levantamento. Eu soube pelo ministro da Defesa (Braga Netto) de possíveis sensibilidades", insistiu Bolsonaro.

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