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Bolsonaro volta a criticar passaporte da vacina e governadores em pronunciamento de fim de ano

Em vídeo gravado e transmitido nesta sexta-feira, 31, em rede nacional de rádio e televisão, Jair Bolsonaro também defendeu que a vacinação de crianças de 5 a 11 anos seja feita apenas com prescrição médica

Iander Porcella e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2021 | 20h47

Brasília, 31/12/2021 - Em pronunciamento de fim de ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar o passaporte da vacina e a atacar governadores que decretaram medidas sanitárias para conter a pandemia de covid-19 em 2021. A fala do chefe do Palácio do Planalto foi gravada e transmitida nesta sexta-feira, 31, em rede nacional de rádio e televisão. Ontem, o mandatário chegou a ironizar críticos do governo e sugeriu que a esquerda fizesse um “mega panelaço” durante sua fala. Houve registros de panelaços em São Paulo e no Rio.

"Com a política de muitos governadores e prefeitos de fechar comércios, decretar lockdown e toques de recolher a quebradeira econômica só não se tornou uma realidade porque nós criamos o Pronamp e o BEM, programa para socorrer as pequenas e médias empresas, bem como fomentar acordos entre empregadores e trabalhadores para se evitar demissões”, afirmou Bolsonaro. O presidente também destacou o Auxílio Emergencial, pago durante a pandemia, e o Auxílio Brasil de R$ 400, que substituiu o Bolsa Família.

"O Auxílio Brasil vai ajudar 17 milhões de famílias mais necessitadas a superar suas necessidades econômicas e sociais agravadas pela pandemia”, afirmou Bolsonaro, sobre o programa que é uma das principais apostas do governo para garantir a reeleição em 2022.

Crítico de medidas de combate à pandemia, como o isolamento social e o uso de máscaras, Bolsonaro voltou a dizer que não apoia a exigência de comprovante de vacinação para atividades no País. "Não apoiamos o passaporte vacinal nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar", afirmou. O chefe do Palácio do Planalto também defendeu que a vacinação de crianças de 5 a 11 anos seja feita apenas com prescrição médica. 

Bolsonaro, contudo, exaltou a vacinação dos brasileiros. “Fomos um exemplo para o mundo”, declarou. “Todos os adultos, que assim desejaram, foram vacinados no Brasil”, disse. Ontem, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais,  o mandatário disse não entender a “gana” por vacinas, ao dizer que não imunizará sua filha Laura, de 11 anos.

O presidente, que está de férias no litoral de Santa Catarina, se defendeu mais uma vez das críticas por não ter ido à Bahia sobrevoar as áreas atingidas por fortes chuvas. A emergência no Estado já causou a morte de mais de 20 pessoas e deixou milhares de desabrigados. Bolsonaro frisou que enviou ministros, como o da Cidadania, João Roma, e o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, ao local das enchentes. 

Como vinha repetindo frequentemente nos últimos dias, Bolsonaro disse que o Brasil está sem corrupção há três anos, o tempo de seu governo. Em um aceno a sua base eleitoral, o presidente também destacou a flexibilização da posse e o porte de armas de fogo no País.

“Hoje temos um governo que acredita em Deus, respeita seus militares, defende a família e deve lealdade ao seu povo. Um excelente 2022 a todos, que Deus nos abençoe”, concluiu.

Panelaço

Intensos panelaços foram promovidos em bairros do Rio de Janeiro durante o pronunciamento do presidente. Além do barulho de bater as panelas, o protesto contra o governo federal incluiu gritos de “fora, Bolsonaro” e “genocida”.

Os panelaços foram ouvidos ao menos nos bairros de Copacabana, Flamengo, Catete, Laranjeiras (zona sul), Barra da Tijuca (zona oeste) e Madureira (zona norte).

Confira o pronunciamento:

 

Leia a íntegra do pronunciamento:

"Boa noite!

Hoje, nos preparamos para o início de um novo ano: o Bicentenário de nossa Independência. Quis Deus que eu ocupasse a presidência em 2019 e assumi um Brasil com sérios problemas morais, éticos e econômicos. Formamos um ministério com pessoas  capazes para enfrentar a todos os desafios. Ao longo do tempo, alguns nos deixaram por livre e espontânea vontade. Outros foram substituídos por não se adequarem aos propósitos da maioria que me elegeu.

Em 201, aprovamos a lei da Liberdade Econômica, simplificamos as normas regulamentadoras, começamos novas obras e  concluímos muitas outras inacabadas. Fizemos ressurgir o modal ferroviário, levamos tranquilidade ao campo, flexibilizamos a posse e o porte de arma de fogo para o cidadão e passamos a  investir no Brasil e não mais no  exterior com obras bilionárias financiadas pelo BNDES. 

Completamos 3 anos de governo sem corrupção. Já concluímos, com menor curso, centenas de obras paradas há vários anos. A transposição do Rio São Francisco finalmente já é uma realidade. Estamos levando mais água para o Nordeste. Somente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte foram beneficiados 12 milhões de brasileiros em 390 municípios. Já entregamos mais de um milhão e duzentas mil moradias do Programa "Casa Verde e Amarela" nas três faixas. 

Em 2020, lamentavelmente, surgiu a pandemia onde mortes se fizeram presente no mundo todo. Nessa batalha, o governo federal dispensou recursos bilionários para que estados e municípios se preparassem para enfrentar a pandemia. Com a polítia de  muitos governadores e prefeitos de fechar comércios, decretar lockdown e toque de recolher, a quebradeira econômica só não se tornou uma realidade porque nós criamos o PRONAMPE e o BEM, programas para socorrer as pequenas e médias empresas, bem como fomentar acordos entre empregadores e trabalhadores para se evitar demissões. Com isso, mais de 11 milhões de empregos foram preservados.

Para aqueles que perderam sua renda, criamos o Auxílio Emergencial, onde 68 milhões de pessoas se beneficiaram. O total pago em 2020 equivale a mais de 13 anos de gasto com o antigo Bolsa Família. Mostramos nossa identidade ao socorrer os mais humildes que tinham  sido abandonados pelos que mandavam fechar tudo. 

Encerramos o ano de 2001 com 380 milhões de doses de vacinas distribuídas à população. Todas adquiridas pelo nosso governo. Lembro que em 2020 não existia vacina disponível no mercado e a primeira pessoa vacinada foi no Reino Unido em dezembro. Todos os adultos, que assim desejaram, foram vacinadas o Brasil. Fomos um exemplo para o mundo!

Não apoiamos o passaporte vacinal, nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar. Também como anunciada pelo Ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre 5 e 11 anos sejam aplicadas somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada!

Desde o início da pandemia, falei que deveríamos combater o vírus, cuidar dos idosos e dos com comorbidades e preservar a renda e o emprego dos trabalhadores. Estamos concluindo 2021 com um saldo de três milhões de novos empregos e saldo também positivo de cinco milhões de empresas abertas, interrompendo uma série de meia década com saldos negativos. 

Adentraremos 2022 com a esperança de que tudo se volte à normalidade. Já são mais de 800 bilhões de reais contratados pela iniciativa privada, que vão gerar milhões de novos postos de trabalho somente nas áreas de infraestrutura. Isso é uma prova de que reconquistamos a confiança dos investidores, brasileiros e estrangeiros, o que possibilitará também a redução da inflação, consequência da equivocada política do 'fica em casa, a economia a gente vê depois'.

Já começamos a pagar o Auxílio Brasil com o valor mínimo de R$ 400,00. Programa melhor e mais abrangente do que o antigo Bolsa Família, onde a média era de apenas R$ 190,00. O Auxílio Brasil vai ajudar 17 milhões de famílias mais necessitadas a superar suas dificuldades econômicas e sociais agravadas pela pandemia.

Lembro agora dos nossos irmãos da Bahia e do norte de Minas Gerais, que nesse momento, estão sofrendo os efeitos de fortes chuvas na região. Desde o primeiro momento, determinei que os ministros João Roma e Rogério Marinho prestassem total apoio aos  moradores desses mais de 70 municípios atingidos. 

Hoje, temos um governo que acredita em Deus, respeita seus militares, defende a família e deve lealdade ao seu povo.

Um excelente 2022 a todos! Que Deus nos abençoe!"

Passeio com aglomeração

Horas antes de o pronunciamento ir ao ar, o presidente Bolsonaro fez um passeio no último dia do ano em São Francisco do Sul, cidade no litoral de Santa Catarina. O mandatário visitou a casa de uma senhora de 95 anos que desejava conhecê-lo, levando uma multidão de apoiadores a se aglomerarem no entorno da residência. A visita foi registrada em um vídeo publicado neste sábado, 1º, em uma rede social do presidente. 


Conforme registrado pelo vídeo, o presidente parou para cumprimentar apoiadores, posou para fotos e tomou caldo de cana. Ele não usava máscara de proteção para covid, assim como a maioria das pessoas presentes no local. 

Na última segunda-feira, 27, dia em que desembarcou em Santa Catarina, Bolsonaro posou para uma foto ao lado do deputado federal Coronel Armando (PSL-SC), que testou positivo para covid no dia seguinte. O parlamentar disse ter informado a comitiva presidencial sobre seu diagnóstico. 

Bolsonaro tem sido criticado por não interromper seu descanso para acompanhar a tragédia causada pelas chuvas na Bahia. Desde que chegou ao litoral catarinense, o presidente tem registrado seus passeios na internet, comparecendo a praias, passeando de jet ski e posando para fotos com apoiadores. Na última quinta-feira, 30, o presidente visitou o parque de diversões Beto Carrero World, onde assistiu a um espetáculo e, depois, pilotou um dos carros que foram utilizados na atração.

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