Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro tratou com Toffoli da nomeação de futuro ministro da Defesa

General estava assessorando a presidência da Corte na formulação de políticas do Conselho Nacional de Justiça para segurança pública, em especial do sistema carcerário

Teo Cury e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2018 | 11h31
Atualizado 13 Novembro 2018 | 16h18

O presidente eleito Jair Bolsonaro tratou com o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, da nomeação do general Fernando Azevedo e Silva, ex-chefe do Estado Maior do Exército, como indicado para estar à frente do Ministério da Defesa em seu governo, segundo apurou o Broadcast Político/Estado

Em setembro, Azevedo e Silva foi indicado, a pedido de Toffoli, pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, como assessor do presidente do Supremo. Desde então, estava assessorando a presidência da Corte na formulação de políticas do Conselho Nacional de Justiça de segurança pública, em especial do sistema carcerário. Auxiliares do Supremo ainda não sabem se o general continuará no tribunal nas próximas semanas.

O primeiro nome cotado para o Ministério era o do general Augusto Heleno, que acabou sendo indicado por Bolsonaro para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). "Bom Dia! Comunico a todos a indicação do General-de-Exército Fernando Azevedo e Silva para o cargo de Ministro da Defesa", escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter.

Em agosto, ainda como chefe do Estado Maior do Exército, Azevedo e Silva defendeu a "conciliação" e "tolerância" nas eleições 2018. Ele ressaltou que os militares são "parte significativa da maioria do povo brasileiro que pretende usar o voto, a arma mais poderosa e legítima da democracia, para começar a superar a crise profunda em que estamos mergulhados."

No Quartel-General do Exército, o general disse que o trabalho dos militares não é reconhecido e se queixou do orçamento das três Forças e dos salários que recebem. "Os constantes desafios a que as Forças Armadas vêm sendo submetidas, muitos deles alheios à nossa destinação principal, não têm recebido, das esferas competentes, o merecido reconhecimento, justo e digno, principalmente quanto ao orçamento e à remuneração do nosso pessoal."

Em sua primeira coletiva de imprensa como chefe do Judiciário em setembro, Dias Toffoli afirmou que a presença do general da reserva no gabinete da presidência não deveria ser "confundida", destacando que Azevedo não está no STF na "qualidade de general ou representante das Forças Armadas". Segundo ele, Azevedo é um civil dentro do STF.

"Ele tem experiência profunda no que diz respeito à área de segurança. Foi chefe da segurança da Autoridade Olímpica no Brasil. Não confundam a ideia de ele ter sido general com a atuação dele aqui. Aqui ele é um civil, um assessor", destacou o ministro sobre o ex-chefe do Estado Maior do Exército.

Marco Aurélio Mello preferiria um civil na Defesa

Já o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, defendeu que o Ministério da Defesa continuasse a ser chefiado por um civil. "Já que a tradição de sempre se ter civil foi quebrada por um civil (o presidente Michel Temer, ao nomear Joaquim Silva e Luna no início do ano), por que não agora, com dois militares, se ter na chefia do Ministério um militar?", ironizou.

 

O ministro conversou rapidamente com jornalistas nesta terça-feira a respeito da indicação do general Azevedo e Silva, ex-chefe do Estado Maior do Exército, para chefiar o Ministério da Defesa no governo Bolsonaro. Questionado se o ideal seria, em sua avaliação, a indicação de um civil para o cargo, disse: "Ah, seria, seria. Eu sou um cidadão conservador neste ponto".

"Tive contato (com Azevedo e Silva) quando era chefe de Estado Maior. É um bom nome, tranquilo", disse, antes de sessão no plenário da Primeira Turma da Corte.

Integrante da Segunda Turma do Supremo, o ministro Gilmar Mendes disse a jornalistas que Azevedo e Silva "é uma pessoa altamente qualificada para a função" e ponderou que, independentemente de quem ocupar o posto, o cargo de ministro da Defesa é "tipicamente civil". "Certamente uma boa indicação (...). "Ele já está na reserva e vai exercer uma função que é tipicamente civil. Recentemente havia um general também. É uma função de pessoas qualificadas",  afirmou.

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