'O critério é técnico, não festa', diz Bolsonaro sobre escolha de ministros

'O critério é técnico, não festa', diz Bolsonaro sobre escolha de ministros

Evento no Rio é a primeira agenda de presidente eleito após passar por avaliação médica que decidiu adiar a retirada da bolsa de colostomia

Constanca Rezende, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2018 | 10h24

RIO - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado, 24, que ainda não definiu todos os nomes para o próximo governo por precaução. Após uma cerimônia de aniversário de 73 anos da brigada da Infantaria de Pára-quedista, na Vila Militar, em Deodoro, zona oeste do Rio, Bolsonaro disse que já gostaria de ter definido todos os nomes para ministros, mas que o critério é técnico, e não “festa”. O deputado tem formação paraquedista. 

“Para divulgar os outros ministros, ainda falta a gente conversar com aqueles que pretendemos colocar. Todos os ministérios são importantes, isso tem que ser muito bem discutido. A gente não pretende anunciar os nomes e, depois, lá na frente, trocá-los”, disse.  “O critério para preencher (os ministérios) é técnico, não é festa. Não tô lá para fazer um governo como os anteriores, não vou jogar cargo pra cima e quem se jogar na frente pega”, acrescentou. 

Bolsonaro também negou que houvesse pressão da bancada evangélica ou do DEM para a definição de ministros.  A afirmação foi feita após Bolsonaro ter sido perguntado se a bancada evangélica contraindicou o educador Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, para a pasta da Educação. Ele era crítico do projeto Escola sem Partido, uma das principais bandeiras do presidente eleito. Para a função, Bolsonaro anunciou o professor colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, nome desconhecido da comunidade educacional, mas que tem afinidade com o projeto.

“Não teve nenhuma pressão da bancada evangélica. A bancada evangélica é muito importante, não só para mim, mas como para o Brasil. Mas essa pessoa indicada, pelo que eu sei, não é evangélica, mas atende aquilo que a bancada defende como valores familiares”, disse o presidente eleito.

Bolsonaro justificou que escola “é lugar para aprender uma profissão” e ter noções de cidadania e patriotismo e não de ideologia de gênero “e formação de militantes”. “Se escola plural é ensinar sexo para criancinhas na sala de aula, meus parabéns ao futuro ministro”, afirmou.

O presidente eleito  também declarou que o DEM não indicou nenhum ministério de seu governo, ao ser questionado sobre a escolha da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) para ministra da Agricultura e do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para a Saúde.

“Quem escolheu a Tereza Cristina foi a bancada ruralista. Quem indicou o Mandetta foi a bancada de saúde da Câmara. Se fosse do PSDB, teria sido acolhido por mim da mesma maneira”, disse. 

Também estiveram presentes no evento o general Augusto Heleno,  indicado para ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, que será o ministro da Defesa, o governador eleito pelo Rio, Wilson Witzel e o interventor federal na segurança do Rio, general Braga Neto.

Esta é a primeira agenda que Bolsonaro participa após passar por avaliação médica que constatou a necessidade de prorrogar a retirada da bolsa de colostomia devido a uma inflamação no intestino.

Era comum Bolsonaro, durante seus mandatos como parlamentar, participar destes eventos aos sábados, no Rio. O presidente eleito se formou no curso de paraquedista militar no ano de 1977 e serviu no 8º Grupamento de Artilharia de Campanha Pára-quedista, no período de 1983 a 1986.

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