Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro não vai ultrapassar limites constitucionais, diz Mourão

Para vice-presidente, não há 'nenhum motivo' para preocupação após as falas de Bolsonaro de que não vai mais 'admitir interferência' e que 'daqui para frente não tem mais conversa' em ato antidemocrático

Bruno Nomura, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 13h10

O vice-presidente Hamilton Mourão minimizou nesta segunda-feira, 4, a participação de Jair Bolsonaro em um novo ato antidemocrático e afirmou que o presidente não vai ultrapassar os limites estabelecidos pela Constituição. O general também pediu mais “harmonia” entre os Poderes, fazendo referência à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal.

O general Mourão afirmou que não há “nenhum motivo” para preocupação após as falas do presidente Bolsonaro de que não vai mais “admitir interferência” e que “daqui para frente não tem mais conversa”. “O presidente tem o compromisso que ele jurou defender a Constituição e ele não vai ultrapassar esses limites. Ele deixa isso bem claro e eu acho que a gente tem que se balizar muito mais pelas ações do que muitas vezes palavras que são ditas em algum momento de maior exaltação”, disse Mourão em entrevista à Rádio Gaúcha.

O vice-presidente minimizou a participação de Bolsonaro nos atos de domingo, 4, em que manifestantes pediam intervenção militar. “Assim como tinha gente que pedia ideias mais radicais, que no final das contas não param em pé, a maioria estava ali pura e simplesmente para apoiar o governo presidente Bolsonaro”, defendeu.

Sobre a afirmação de Bolsonaro de que as Forças Armadas estão ao lado do governo, Mourão afirmou que a instituição se considera um elemento do Estado brasileiro. “Quando o presidente fala em apoio das Forças Armadas, é o apoio institucional à pessoa dele como chefe de Estado e chefe de governo”, disse.

Mourão não fez críticas diretas, mas pediu mais “harmonia” entre os Poderes ao comentar duas decisões liminares de ministros do STF: a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para a PF, concedida por Alexandre de Moraes, e da expulsão de funcionários da Embaixada da Venezuela, assinada por Luís Roberto Barroso. “São decisões do presidente da República. É responsabilidade dele e decisão dele escolher seus auxiliares. Ele é o responsável pela política externa do País. Então eu acho que os poderes têm que buscar se harmonizar mais e entender o limite da responsabilidade de cada um”, declarou. 

'Discórdia e intriga'

O general Hamilton Mourão reforçou o tom da entrevista concedida à Rádio Gaúcha em uma postagem no Twitter. O vice-presidente falou em "discórdia e intriga" que "turvam" o ambiente nacional, ressaltou que "ninguém irá descumprir a Constituição" e que "cada Poder tem seus limites e responsabilidades".

 

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