TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Paulinho defende que Centrão ‘desidrate’ reforma para evitar reeleição de Bolsonaro

Em ato do 1º de Maio, deputado federal afirma que proposta que pode economizar até R$ 1 trilhão beneficiaria presidente; Maia critica vínculo com 2022

Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo e Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2019 | 12h10
Atualizado 02 de maio de 2019 | 10h12

Presidente licenciado da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD) afirmou nesta quarta-feira, 1º, em São Paulo, durante o ato unificado pelo Dia do Trabalho das centrais sindicais, que está tentando conquistar apoios no Centrão para a “desidratar” a reforma da Previdência. Seu argumento é que a reforma, na proposta encaminhada pelo governo – que prevê uma economia de até de R$ 1 trilhão em dez anos –, ajudaria na reeleição do presidente Jair Bolsonaro. “Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro”, disse Paulinho.

A declaração provocou reação imediata do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal fiador da reforma no Congresso. Maia disse não acreditar que essa é uma posição de todo o Centrão. “Vou trabalhar para uma economia de R$ 1 trilhão. Uma economia que garanta o pagamento das futuras aposentadorias e pensões, uma economia que garanta no prazo de três anos uma geração de 8 milhões de empregos”, disse. “Não estou preocupado com a eleição de 2022.”

Durante a campanha presidencial do ano passado, Bolsonaro afirmou que, caso fosse eleito, pretendia “fazer uma excelente reforma política” e acabar com o “instituto da reeleição”. Após tomar posse, o presidente, no entanto, passou a admitir a possibilidade de concorrer a um segundo mandato. No início de abril, perto de completar 100 dias de governo, ele afirmou que “a pressão” estava “muito forte” para disputar novamente o Palácio do Planalto. 

As mais recentes pesquisas Ibope mostraram que Bolsonaro tem a pior avaliação entre presidentes eleitos em começo de primeiro mandato. O porcentual que considera o atual governo ótimo ou bom foi de 35% em abril, abaixo dos índices de presidentes anteriores, eleitos no período pós-redemocratização do País. A aprovação da reforma da Previdência é considerada fundamental para o desempenho do governo. 

Paulinho admitiu que a oposição hoje consegue reunir no máximo 140 votos no Congresso contra o projeto enviado pelo governo e, sozinha, não conseguiria barrar a reforma. “Tenho atuado muito junto com os partidos de centro para que a gente possa ganhar a opinião daquele povo. Se fizermos uma reforma que dê R$ 1 trilhão em dez anos, significa que daríamos em três anos ao Bolsonaro R$ 330 bilhões. Ou seja, isso garante a reeleição dele. Esse é o discurso com muitos partidos que não têm interesse na eleição do Bolsonaro. É possível trazer esses partidos para uma posição de desidratar a reforma.”

A oposição avalia a ideia como positiva, mas com desconfiança quanto à sua viabilidade. “É uma boa ideia mas não sei se é viável”, disse o deputado Rui Falcão (PT-SP).

O líder do PCdoB na Câmara, Orlando Silva (SP), avalia que o Centrão pode rachar em relação à reforma. “Se o Congresso aprovar a reforma, Bolsonaro descarta estes deputados no dia seguinte. Ele já maltrata os parlamentares agora. Imagine se aprovar a Previdência”, disse.

Pela primeira vez todas as dez centrais sindicais se uniram no tradicional evento do 1.° de Maio. Embora a pauta central fosse em torno dos direitos trabalhistas, quase todos os discursos foram críticos ao governo Bolsonaro. Os líderes sindicais prometem uma greve geral para o dia 14 de junho, às vésperas da data em que as centrais calculam que a reforma será votada. Segundo os organizadores, 200 mil pessoas passaram pelo Vale do Anhangabaú, em São Paulo. / COLABOROU BÁRBARA NASCIMENTO


 

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