Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro minimiza gastos com cartão corporativo e diz que fica até janeiro de 2027

Presidente reagiu a cidadão que pediu seu impeachment; sobre despesas, disse que aumento se deve a operação para buscar brasileiros na China

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2020 | 18h27
Atualizado 10 de maio de 2020 | 21h58

BRASÍLIA - Confrontado por um popular em frente ao Palácio da Alvorada que afirmou "a democracia pede sua renúncia ou impeachment”, o presidente Jair Bolsonaro respondeu que fica no comando do País até 1º de janeiro de 2027. Para seguir no cargo até esta data, Bolsonaro precisa vencer as eleições a presidente de 2022 e cumprir um segundo mandato.

O presidente também minimizou neste domingo, 10, gastos com cartões corporativos da Presidência. Para apoiadores, mesmo sem ser questionado, ele disse que as despesas subiram porque teve de enviar aviões à China para repatriação de brasileiros que estavam isolados em Wuhan, em razão do surto da covid-19. "Teve quatro aviões para China para buscar gente lá. Daí gastou mesmo", disse.

O Estadão mostrou que gastos com cartão corporativo da Presidência da República, usado para bancar despesas sigilosas do presidente Jair Bolsonaro, dobraram nos quatro primeiros meses de 2020, na comparação com a média dos últimos cinco anos. A fatura no período foi de R$ 3,76 milhões, valor que é lançado mensalmente no Portal da Transparência do governo, mas cujo detalhamento é trancado a sete chaves pelo Palácio do Planalto. Por isso, não é possível checar o peso que a operação para resgate dos brasileiros na China teve na fatura total.

As declarações foram feitas no fim da tarde deste domingo, 10, quando Bolsonaro parou em frente à residência oficial para conversar com apoiadores. Ele retornara de uma cerimônia de “chá revelação” na casa de deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, que será pai de uma menina.

“Vou sair em 1º de janeiro de 27”, disse Bolsonaro ao popular. Ao contrário da larga maioria das pessoas que aguardam diariamente o presidente em frente ao Alvorada, o homem não era um apoiador de Bolsonaro. Ao falar sobre renúncia e impeachment do presidente, ele foi vaiado por defensores do presidente.

Mais de 30 pedidos de impeachment contra Bolsonaro foram apresentados ao Legislativo em cerca de 16 meses. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já afirmou que não é o momento de colocar o tema em pauta.

Bolsonaro se nega a anunciar sexo de sua neta

Após retornar do “chá de revelação” de sua neta, filha de Eduardo, o presidente se negou a anunciar o sexo da criança a apoiadores. “Se eu falar, dá polêmica”, disse ele neste domingo, em frente ao Palácio da Alvorada, em tom irônico. Um apoiador respondeu a Bolsonaro: “Tudo dá polêmica contigo, né”.

No dia 21 de abril, Eduardo Bolsonaro anunciou em suas redes sociais que sua mulher, a psicóloga Heloísa Bolsonaro, estava grávida. Hoje, também nas redes sociais, o deputado revelou que será uma menina. Será a terceira neta de Bolsonaro, que já é avô de duas meninas, filhas do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Em 2017, quando era pré-candidato a Presidência da República, Bolsonaro causou repúdio ao afirmar que sua filha Laura, hoje com 9 anos de idade, era resultado de uma “fraquejada”. A menina é a única mulher entre os cinco filhos do presidente.

Para tentar reduzir a rejeição com o eleitorado feminino, Bolsonaro chegou a gravar um vídeo durante a campanha presidencial de 2018, afirmando que a garota “mudou” a sua vida. “Quando vem uma mulher é diferente. Inclusive é uma confissão. Eu já estava...”, diz Bolsonaro no vídeo, que vai às lágrimas após pausa de alguns segundos. “Eu já tinha decidido não ter mais filhos, estava vasectomizado”, emendou. Depois, revela que desfez o procedimento para poder ter a filha com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

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