Reprodução/Facebook
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Após enquadrar Mourão, Bolsonaro publica vídeo sobre a filha e a mulher

Vice disse que famílias sem pais e avôs eram 'fábricas de desajustados'; candidato enfrenta resistência do eleitorado feminino na internet

Márcio Rodrigues e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2018 | 09h26

Internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde que foi esfaqueado em um evento de campanha em 6 de setembro, o candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, publicou na noite de quarta-feira, 19, um vídeo em suas redes sociais no qual elogia sua filha Laura e a mulher, Michelle, que foi mãe solteira, dias depois de seu vice, o general reformado Hamilton Mourão, ter dito que famílias sem pais e avôs em áreas pobres eram "fábricas de desajustados" e em meio à crescente campanha feminina na internet contra sua candidatura. 

As declarações do presidenciável foram dadas em meio a uma tentativa de enquadrar Mourão, que, desde o atentado de Juiz de Fora tem feito declarações polêmicas e participado de palestras e atos de campanha, e o assessor econômico da chapa, Paulo Guedes, que afirmou ontem estudar a criação de um imposto nos moldes da antiga CPMF num eventual governo, o que põe em xeque o discurso da campanha.

O vídeo sobre a filha e a mulher também é uma tentativa de o candidato se contrapor ao crescente movimento contra sua candidatura organizado por mulheres nas redes sociais. No fim de semana, eleitores de Bolsonaro tentaram hackear uma comunidade crítica a ele no Facebook com mais de 1 milhão de participantes. Seu filho Eduardo Bolsonaro chegou a dizer, sem oferecer provas, que o grupo tinha sido "vendido para a esquerda".

Na gravação de pouco mais de um minuto, o capitão da reserva diz: "Tenho uma enteada em casa, minha esposa era mãe solteira e falou que a grande realização do casamento é ter filhos", disse ele, destacando que desfez a vasectomia, Laura nasceu e isso mudou a vida da família.

Ao falar que sua mulher foi mãe solteira, ele tenta também se contrapor às declarações de seu vice Mourão, que chamou de desajustadas as famílias cujos filhos são criados sem pai. No ano passado, no entanto, em uma palestra na Hebraica, no Rio de Janeiro, o deputado disse que depois de ter tido quatro filhos homens teve uma "fraquejada" ao ter uma filha mulher.

Em meio à polêmica trazida pelo tema, Bolsonaro determinou que Guedes e Mourão reduzam suas atividades eleitorais. A campanha quer estancar o desgaste provocado por declarações polêmicas dos dois aliados. Ontem pela manhã, o perfil de Bolsonaro no Twitter já havia reiterado o compromisso com a redução da carga tributária após a notícia de que Guedes estuda como proposta para um eventual governo a criação de um novo imposto nos moldes da antiga CPMF.

Afirmações e a movimentação eleitoral do candidato a vice na chapa também constrangeram Bolsonaro e a cúpula da campanha nos últimos dias. Do quarto do Hospital Albert Einstein, Bolsonaro acompanhou também pelo noticiário Mourão defender uma Constituição elaborada por não eleitos e que o Brasil evitará fazer acordos com "a mulambada", em uma referência a países emergentes. 

Ao visitar o hospital na capital paulista, anteontem, o general da reserva ouviu uma determinação do candidato. Bolsonaro pediu que seu vice suspendesse a agenda de viagens. O candidato avaliou que a campanha entrou num momento decisivo e que não podia correr mais riscos.

Agora pela manhã, Bolsonaro voltou a usar a rede social, desta vez para reafirmar pontos que vem defendendo ao longo de sua campanha, como o combate a violência e a redução da maioridade penal. "O brasileiro desta vez tem a opção de escolher alguém que pegue firme contra a violência, a favor do livre mercado, contra o aborto e a doutrinação ideológica na educação, livre de acordões políticos e a favor da redução da maioridade penal. Mudaremos juntos a direção do Brasil!", escreveu o deputado. 

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