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Bolsonaro diz que pensa em criar nova legenda; nome seria Partido da Defesa Nacional

Ao deixar Abu Dhabi rumo ao Catar, presidente avaliou que a situação no PSL é 'grave' e seguirá exigindo acesso e transparência nas contas da sigla

Julia Lindner, enviada especial, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 08h41

ABU DHABI - Em crise com o PSL, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 28, que também pensa em criar a sua própria sigla e até já tem um nome de batismo para a legenda: Partido da Defesa Nacional (PDN). Bolsonaro afirmou, no entanto, que não fará qualquer voo político arriscado e adotou um discurso de paz e amor. 

“Eu nunca saltei de paraquedas sem ficar com um paraquedas reserva”, argumentou ele, ao destacar que não tomará qualquer decisão sem construir primeiro um acordo. Após dizer na semana passada que poderia até mesmo ser um presidente sem partido, Bolsonaro observou que “por enquanto” não pretende deixar o PSL. “Mas todas as possibilidades estão na mesa. Eu não teria dificuldade em criar um partido”, comentou, pouco antes de deixar Abu Dhabi, com destino ao Catar.

O presidente chegou a afirmar que seria preferível uma separação entre ele e o PSL. “O ideal agora é como se fossem gêmeos xifópagos (ligados entre si por uma parte do corpo). É separar. Cada um segue seu destino”, declarou. Ao  avaliar que a situação do PSL é “grave”, Bolsonaro disse, ainda, que continuará exigindo “transparência” nas contas da sigla. No último dia 15, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços ligados ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), em Pernambuco. O deputado é investigado por suspeita de patrocinar candidaturas femininas laranjas nas eleições do ano passado.

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Apesar de falar sobre separação, Bolsonaro afirmou, em outro momento, que gostaria de ver “tudo pacificado” com o PSL. Questionado se ir para o Patriota seria uma opção, o presidente respondeu que, apesar de gostar da legenda e de ter cogitado se filiar antes do processo eleitoral, seria melhor formar um novo partido.

Foi aí que mencionou a sigla PDN. Embora já esteja conversando com correligionários sobre as eleições municipais do ano que vem, Bolsonaro disse que pretende interferir o mínimo possível nas disputas para as prefeituras. “Se eu fecho com alguém, começo a perder apoios e não quero perder apoios. Tenho objetivo de governar o Brasil”, afirmou.

Ele também ironizou a possibilidade de candidatura à Presidência da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo na Câmara. “Boa sorte para ela. É fácil!", reagiu.

Bolsonaro elogiou a atuação de Joice em favor do governo, mas disse que ela “se precipitou” em razão do interesse em disputar a prefeitura de São Paulo. A deputada foi destituída do cargo. 

Aliados de Bolsonaro disseram ao Estado não conhecer seus planos de formar o Partido da Defesa Nacional. “É um das possibilidades entre tantas. O que importa agora é sair do PSL”, afirmou o deputado Bibo Nunes (PSL-RS).

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