Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro deve anunciar saída do PSL com deputados aliados

Presidente convocou uma reunião para esta terça-feira, 12, pelo grupo de Whatsapp 'Time Bolsonaro', informando apenas horário e local; convidados preveem anúncio da saída do partido

Camila Turtelli, Tania Monteiro e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 16h33

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta segunda-feira, 11, que tratará sobre a sua saída do PSL em reunião no Palácio do Planalto na tarde de terça, 12, com parlamentares da legenda. O encontro pode significar uma desfecho para a crise interna no partido, que se intensificou nos últimos meses. 

Bolsonaro havia enviado nesta segunda-feira, 11, uma mensagem a parlamentares aliados no grupo de Whatsapp “Time Bolsonaro”. Informou apenas horário e local de uma reunião: 16h, no Palácio do Planalto. Ele não especificou o assunto, mas deputados convidados para esse encontro preveem um anúncio da saída de Bolsonaro do PSL, depois de uma crise que tomou os holofotes da política nacional no último mês.

Durante a reunião, o presidente deve anunciar a criação de um novo partido, que deve se chamar Aliança pelo Brasil. Segundo o presidente, o nome ainda não está definido.

“Não está certo nada ainda. Para depois vocês não falarem que recuei. Tenho de tomar conhecimento do que está acontecendo amanhã, para poder informar”, afirmou Bolsonaro a jornalistas, em frente ao Palácio do Alvorada. 

Bolsonaro poderia levar com ele quase a metade da bancada do PSL na Câmara, composta por 53 deputados, caso não houvesse entraves jurídicos que podem implicar na perda dos mandatos. A saída do partido já é tratada abertamente por aliados.

“Creio que sim (que Bolsonaro deve deixar o PSL). E eu saio de fato também, em apoio ao Presidente”, afirmou o deputado Bibo Nunes (PSL-RS)

O líder da bancada do PSL na Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), disse que é provável que Bolsonaro anuncie a saída do partido nesta terça-feira.  “Não sei se é isso que ele vai fazer amanhã. Eu acho provável? Acho provável. O que tudo indica é que sim, mas a gente vai ver. A gente vai bater um papo com a maioria da bancada dos deputados do PSL para ver como vai ficar essa situação”, afirmou Eduardo.

Ele disse que se for essa a decisão de Bolsonaro, a maioria dos deputados deve acompanhar. “Mas não é uma ditadura não, quem quiser ficar no PSL, à vontade. A gente vai bater um papo”, afirmou. “Se ele for para a lua, eu vou com ele”, disse.

Eduardo confirmou que haverá uma reunião amanhã, às 16h no Palácio do Planalto junto com a maioria dos deputados do PSL.

“Se vai ser um novo partido ou se vai ser migrar para um já existente ou ainda quais deputados estão dispostos a fazer isso, vamos decidir amanhã nessa reunião. É um momento chave para os deputados que estão no PSL”, completou. 

A disputa interna da legenda veio à tona no dia 8 de outubro. Naquele dia, na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez críticas ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE),  a um pré-candidato a vereador de Recife. “O cara (Bivar) está queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”, prosseguiu. A partir daí, houve uma série de farpas trocadas entre dois grupos que se formaram entre os correligionários.

De um lado, os "bolsonaristas", aliados a Bolsonaro que articularam para colocar o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como líder da bancada na Câmara. Do outro, os ‘bivaristas’, ligados a Luciano Bivar, presidente da sigla, que perderam o controle da bancada com a destituição do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) do cargo de líder do governo, mas ficaram com o controle do partido e abriram processos no Conselho de Ética contra ao menos 19 colegas do grupo oposto.

Nessa cizânia, está em jogo o controle do partido, que se tornou uma superpotência após eleger 52 deputados no ano passado e angariar a maior fatia dos recursos públicos destinados às siglas. Apenas neste ano, o PSL deve receber R$ 110 milhões de fundo partidário.

Para a reunião desta terça-feira, Bolsonaro chegou a convidar alguns bivaristas, mas segundo fontes, deixou de fora o próprio Bivar, a ex-líder do Congresso, deputada Joice Hasselman (SP), além dos deputados Julian Lemos (PB), Heitor Freire (CE) e Delegado Waldir (GO). Deputado por São Paulo, Coronel Tadeu também não foi convidado. “Não posso acompanhá-lo (na saída do PSL). A legislação não permite. Se for para dar fim a essa confusão, apoio integralmente a decisão do presidente”, disse.

Segundo deputados do PSL ouvidos pela reportagem, Bolsonaro deve se manter, por enquanto, independente, até encontrar um novo partido. A intenção é migrar para uma legenda que “não tenha dono”, disse um parlamentar. / COLABOROU PAULA REVERBEL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.